
Sempre a dar-nos alegrias!!!
Vou tentar exprimir tudo o que me vai na alma portista... "FAZEM FALTA PESSOAS COM LIBERDADE PARA DIZER O QUE PENSAM." Rui Madeira

" Dificilmente alguém, dentro do país, convencerá outrem, no estrangeiro, de que não há CONLUIO. "


«Jesualdo Ferreira já estava para vir desde 1984. Já desde essa altura, quando veio o Artur Jorge, que Jesualdo Ferreira estava para vir para o FC Porto, então como adjunto.»
«Tudo isto serviu para reforçar as relações com o Boavista. E não houve qualquer momento em que essas pudessem ficar deterioradas, pois, por aquilo que vi em pessoas ligadas ao Boavista, no final de tudo estar concretizado, acho que este processo serviu para reforçar as boas relações e a amizade existente entre as pessoas.»
FC Porto viajou para Óbidos na nova «máquina»
A comitiva do FC Porto já se encontra na região de Óbidos, onde fica instalada até ao jogo de amanhã com o V. Setúbal, para a Supertaça, depois de cumprir viagem de cerca de três horas a bordo do novo – foi hoje apresentado e abençoado – e luxuoso autocarro do clube.
Dotado da mais moderna tecnologia, o novo autocarro dos «Dragões» vai oferecer a quem nele se fizer transportar uma mescla de requinte, conforto, funcionalidade e versatilidade. A começar por um inovador sistema de som, imagem e navegação, passando pelos 37 confortáveis bancos – personalizados com os números dos jogadores e iniciais dos nomes dos elementos da equipa técnica, forrados a pele de couro e com leitores de DVD com LCD pessoais em todos os bancos, com entrada de ligação para play-station – e sem esquecer a cozinha – equipada com duas máquinas de café, cinco frigoríficos e duas máquinas para o catering durante as viagens mais longas. A comprovar que nada foi esquecido, a nova «máquina» dos azuis e brancos conta ainda com uma...enfermaria.
Espanhol alega irregularidade nas utilizações de Puyol e Xavi (Barcelona) no jogo de ontem
O Espanhol, que ontem perdeu a primeira mão com o Barcelona, por 1-0, na primeira mão da Supertaça de Espanha, disputada no Estádio Olímpico de Montjuic, confirmou que apresentará nas próximas horas um protesto perante o Comité de Competição da Real Federação Espanhola no sentido de impugnar o jogo por incumprimento do regulamento da FIFA devido às participações de Puyol e Xavi pelo Barcelona, que não jogaram por lesão no particular Islândia-Espanha, anteontem. A FIFA estabelece que um jogador que não possa alinhar num jogo da selecção não o poderá fazer noas cinco dias seguintes pelo seu clube.
O castigo de três jogos imposto a Wayne Rooney e Paul Scholes, pelas expulsões na partida com o FC Porto, ditaram posição radical de Alex Ferguson. Enquanto o escocês for treinador do Manchester United, o clube não mais participará no Torneio de Amesterdão.
«Não vamos jogar no Torneio de Amesterdão nunca mais, podem apostar a vossa vida nisso», afiança Alex Ferguson, bastante crítico para com o árbitro do jogo com o FC Porto, que enviou para a Federação Inglesa relatório pormenorizado dos lances que ditaram as expulsões.
«Nestas situações tudo depende do árbitro, mas esperamos sempre que o bom senso prevaleça», lamenta.
Pelos vistos, o FC Porto vai partir em desvantagem para o próximo campeonato. Ora aí está uma coisa que não se ouve todos os dias. É raro ouvir dizer que o FC Porto parte em desvantagem seja para o que for. Normalmente, costuma ouvir é dizer-se que partiu em vantagem, que arrancou antes do sinal verde, que nem sequer dá pisca para ultrapassar e coisas que tais.
Pois bem, desta vez o FC Porto parte em desvantagem. Imagino, na minha inocência, que no caso de ganhar o campeonato, o facto de ter partido em desvantagem valorize o triunfo, mas algo me diz que ainda vou ver muita gente encolher os ombros e dizer que, prontos, tinham o melhor plantel e, prontos, os outros até deram luta e, prontos, lá cumpriram a sua obrigação de ganhar.
Mais ou menos como na última temporada. A sério. Afinal, na última temporada, o Sporting foi o grande campeão da segunda volta e conseguiu o apuramento directo para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Dois feitos históricos. O Benfica, ficou-se pelo honroso terceiro lugar, mas chegou aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Outro feito histórico. O FC Porto limitou-se a ganhar o campeonato e a Taça de Portugal. Uma banalidade.
Em contrapartida, ficou-se pela fase de grupos da Liga dos Campeões, isso sim, uma vergonha para o prédio. Com aquele plantel, qualquer equipa teria a obrigação de fazer mais; aquele plantel era uma vantagem enorme. Mas este ano tudo será diferente. O FC Porto parte em desvantagem para o campeonato. O plantel já não é um argumento a favor. Afinal, o Sporting manteve as jóias da coroa e ainda arranjou mais meia dúzia de pedras preciosas enquanto Benfica segurou Simão e ainda repatriou Rui Costa. O FC Porto parte em desvantagem? Talvez, mas as corridas ganham-se no fim, não é?
Jesualdo
Adiado
Pelos vistos, João Loureiro não vai abrir mão de Jesualdo Ferreira. Percebe-se. Não é fácil abdicar de um grande treinador. Percebe-se mas é pena. Pelo que fez nas últimas temporadas ao serviço do Braga, Jesualdo Ferreira merecia outra hipótese de lutar a sério pelo título e o FC Porto poderia proporcionar-lhe essa hipótese.
Agressões
Coragem
Continua a haver quem queira confundir o mensageiro e a mensagem. Ontem, à saída do estádio do Bessa, aonde foram apenas fazer o seu trabalho de informar, alguns jornalistas foram cobardemente agredidos por quem não se pode classificar como adepto de coisa nenhuma. Hoje, o mais provável é que esses mesmos jornalistas voltem ao Bessa para fazer o seu trabalho. Não é uma questão de coragem, é a nossa vida.

Inglaterra: McCarthy apresenta-se aos adeptos do Blackburn com um dois golos!!!!
Hugo Almeida marcam no triunfo do Werder Bremen. O brasileiro marcou um golo e "fabricou" outros dois; o português também "facturou", três minutos depois de ter entrado para o lugar do croata Klasnic.
Traficante lampião e corruptor-mor da Liga anterior: "Neste momento há que dar os parabéns ao Cunha Leal, homem de grande rigor". ehehehehhehehhehehhehehehhehheh
Carlos Pereira e ex-compincha do Traficante: "É normal haver pessoas discordantes, aliás discordar é um acto de cidadania. Mas não consigo compreender porque é que as pessoas um dia dizem uma coisa e no outro dia dizem outra. Ouvi dizer que esta candidatura dá vontade de rir, mas o que dá vontade de rir é o mandato que agora termina, um mandato negro para o futebol. É reprovável a falta de ética. Estou desiludido com a posição de Luís Filipe Vieira".


Espectáculo só no intervalo dos golos
" A saída de Adriaanse era inevitável, porque estava em rota de colisão com o presidente. O treinador tinha boas ideias mas não conseguia colocá-las na prática, porque o espectáculo que defendia só era praticado no intervalo dos golos. Queria um avançado, mas não percebo por que saíram o Hugo Almeida e o McCarthy."

"Vieirinha surpreende-me a cada dia que passa. Há pouco tempo, nem sabia que ele existia, porque ninguém do FC Porto me tinha dito. Depois, pediram-me que lhe desse uma oportunidade. Prevejo-lhe um grande futuro".
"Se não comprarmos um bom avançado, continuaremos a jogar bonito e a perder"
Internacionalização falhada
Se este Torneio era um teste ao FC Porto europeu e se Adriaanse já fez saber que jogará assim mesmo na Liga dos Campeões, há motivos para acreditar em boas exibições e em vitórias morais, porque, a manterem-se os erros, não chegará para muito mais.
Se era de uma lição que precisava, o FC Porto teve o melhor professor possível. O Inter explicou tudo num minuto, o tempo que demorou a provocar erros de palmatória numa defesa alternativa e amanteigada. Num piscar de olhos, ainda o jogo aquecia, já os italianos tinham transformado o caso em assunto arrumado, beneficiando de distracções a que os portistas não se podem dar ao luxo se quiserem mesmo exportar o futebol romântico de Adriaanse. É que não há romance que resista a traições como aquelas que deram origem aos dois primeiros golos e a mais um punhado de sobressaltos que antecederam o terceiro, também ele um hino à asneira. Paradoxalmente, ainda que a teoria seja discutível, o lado positivo deste torneio, para o FC Porto, pode ter estado nos resultados negativos: percebeu-se que há matéria-prima de qualidade, mas a finalização continua uma lástima. Para o campeonato português, o que se viu em Amesterdão chega e sobra, mas é tempo de tomar decisões definitivas, sob pena de, na próxima Liga dos Campeões, não se conseguir mais do que vitórias morais. Como a de ontem. Confuso? Não para quem viu o jogo: em toques curtos, habilidades de calcanhar, domínio e posse de bola, os portistas não tiveram no Inter um rival à altura. Essa forma de jogar chegou para arrancar aplausos das bancadas do Arena, que passou os últimos dez minutos a gritar "Porto", mas, se for este o esboço europeu, haverá mais do que entretenimento para mostrar? Fica a dúvida.
Destilado algum veneno e identificados alguns dos problemas, sobra a parte boa. Para ser mais específico, a parte do meio. Ibson é um regalo para os olhos e uma peça a usar sem moderação; ainda não houve Lucho e isso só pode ser bom para o futuro da equipa. Há também Assunção e Meireles. Enfim, um punhado de bons motivos para acreditar nesse sector. Outra achega: esta configuração defensiva, que palitou os dentes ao ataque do Inter, é uma segunda escolha, apesar de ter encaixado tantos golos quanto a primeira, no dia anterior. Prosseguindo na onda optimista, sublinhe-se o empenho de Alan, que só por brincadeira de gosto duvidoso pode ter aparecido aos olhos de Adriaanse como ponta-de-lança. Não é, nem nunca será. Quaresma esteve razoável, mas ainda longe do fulgor da última época, e Adriano foi uma mistura desconcertante de avançado oportuno e trapalhão. É verdade que Jorginho não ajudou grande coisa.
Dois golos para disfarçar
Depois da hemorragia de golos sofridos em que se transformou a primeira parte, o FC Porto teve o mérito de não se alhear do jogo. Continuou a insistir na progressão quase ao primeiro toque, ganhando fôlego com as entradas de Pedro Emanuel, Assunção, Anderson, Cech e Vieirinha. O pecado mantinha-se na incapacidade de acertar na baliza, apesar das sucessivas aproximações que eram feitas. Com remates de todos os ângulos possíveis. Menos convincente foi o trabalho mostrado em lances de bola parada: continua anarquia na marcação dos livres, expressa na forma determinada como Diogo Valente, farto de tanto esperar que Quaresma o deixasse marcar, decidiu assumir a responsabilidade numa das ocasiões. Nos cantos, também ainda não se viram movimentos convincentes. Em todo o caso, detalhes à parte, os últimos dez minutos dos portistas foram gloriosos, compensando os primeiros dez, que tinham sido um pesadelo. Adriano fez aquilo que parecia apenas o golo de honra e a equipa embalou para um futebol que deliciou o ArenA, terminando numa explosão de êxtase provocada pelo sensacional golo de Cech. Foi o delírio, mesmo no fim. Moral da história: ganharam os italianos, como sempre.
"Se não comprarmos um bom avançado, continuaremos a jogar bonito e a perder"
A pergunta saiu directa e a resposta mais ainda. Como aliar o bom futebol que apresenta o FC Porto com golos? Essa foi a pergunta. "Comprando um bom avançado", foi a resposta de Adriaanse, sem hesitar. E deu nomes: "Ronaldo, Adriano - o número um e não o dois, que é o que tenho - Eto’o, Kuyt, Vennegoor of Hesselink". Partindo do princípio de que os outros são a brincar, a referência a Hesselink não parece ter sido inocente. Pinto da Costa já disse que não havia dinheiro para comprar e o treinador holandês deixou o aviso: "Então, continuaremos com este futebol divertido, mas a perder jogos". A sala de Imprensa, cheia de holandeses, rebentava de riso com a audácia de Adriaanse, que se sentiu como peixe na água. Depois de muito discorrer sobre a irreversível opção pelo futebol-espectáculo, mesmo que isso lhe custe alguns dissabores, foi-lhe perguntado se não tinha aprendido nada com a Itália do último Mundial. "Não vi os jogos do último Campeonato do Mundo. Tenho as minhas ideias e não as mudo. Não quis ver o Mundial para que as minhas ideias não corressem o risco de mudarem para o lado errado". O lado da Itália campeã do Mundo, supõe-se. Com Mancini ao lado foi obra, mas Adriaanse estava em casa e imparável. "O Arena rendeu-se ao nosso futebol e as bancadas puxaram no fim pelo FC Porto porque reconheceram características do antigo Ajax. Eles aplaudiram-nos", disse orgulhoso, pouco se importando quando lhe lembraram que entre os adeptos holandeses e os portugueses parece haver algumas diferenças. "Fui contratado para acrescentar disciplina, futebol atractivo e ser campeão de Portugal". Esse continua a ser a meta para este ano. "Ganhar o campeonato é o nosso objectivo".
E a Liga dos Campeões? "Se esta equipa se mantiver junta pode voltar ao topo dentro de dois ou três anos". Para já, nem pensar. Inter de Milão e Manchester United estão claramente à frente, provou-se neste torneio. "Devíamos ter tido um prémio para a equipa com mais posse de bola", disse, antes de apontar a candidatura a outros. "Também deveríamos ganhar o prémio para a equipa que mais oportunidades desperdiçou; que mais rematou ao lado e por cima", ironizou. Apesar de tudo, saiu satisfeito de Amesterdão. "Fiquei contente com o espírito dos jogadores e com as oportunidades criadas". Sobre a ausência de Lisandro, uma opção para a área, explicou-se. "Regressou de férias com problemas nas costas, treinou com reservas nas últimas semanas e por isso não jogou".
"Preferia Kuit a Hesselink"
Co Adriaanse repetiu, desta feita à imprensa holandesa, a necessidade que o plantel do FC Porto tem em receber um ponta-de-lança, juntando desta feito o nome de Dirk Kuyt (Feyenoord) ao já muito badalado Vennegoor of Hesselink (PSV Eindhoven). “Entre os dois, até preferia Kuyt, mas ele é completamente incomportável para nós”, referiu. Depois, por entre uma dissertação sobre a diferente entre um avançado português ou brasileiro e um holandês, o técnico voltou a reafirmar que a contratação de Hesselink está completamente descartada. “Um jogador português ou brasileiro não pensa da melhor forma quando a bola chega à frente. Para jogar com um esquema de três avançados, preciso de alguém que tenha experiência e que consiga segurar a bola na área, porque a partir daí tudo fica mais fácil. Vennegoor of Hesselink seria o ideal para isso. Foi uma séria opção para nós, mas revelou-se demasiado dispendiosa”, afirmou.
"Preocupado? Só com João Paulo"
Mesmo admitindo que não é normal sofrer dois golos num minutos, Pinto da Costa acredita que esta é a altura certa para corrigir o que possa não estar bem na equipa. De resto, volta a insistir que o FC Porto não pode pagar oito milhões de euros seja por quem for, mas não fecha completamente a porta a eventuais reforços
Pinto da Costa não ficou particularmente preocupado com as duas derrotas sofridas pelo FC Porto durante o Torneio de Amesterdão. Para o presidente portista, perturbadora é a lesão sofrida por João Paulo, cuja gravidade, poderá fastar o médio da equipa para lá do arranque da temporada. "Fiquei preocupado com a lesão de João Paulo que foi o aspecto mais negativo do Torneio e que vai ser mau para todos, mas sobretudo para ele, que vai ficar parado muito tempo", lamentou.
Quanto aos dois resultados negativos, o presidente do FC Porto foi optimista, apesar de admitir que nem tudo correu bem. "Não é normal sofrer dois golos num minuto, pelo menos não me lembro de ter acontecido antes. Mas esta é a altura certa para rectificar o que está mal. Se não acreditasse nisso estava preocupado, como acredito..."
Ora, por falar em rectificações, Co Adriaanse não se cansa de pedir que lhe rectifiquem a falta de avançados no plantel. Em contrapartida, Pinto da Costa começa a ficar cansado de se repetir. "O treinador é livre pode dizer o que quiser e as vezes que quiser. Agora, quem manda no clube sabe até onde podemos ir e não podemos ir além dos nossos limites", frisou. "É evidente que eu gostava de ter aqueles jogadores de que ele falou ontem. Todos não, que era uma grande confusão, mas um ou dois , gostava. Ronaldo e Ronaldinho, por exemplo, era bom, mas não podemos", afirmou, sublinhando o irrealismo dos nomes avançados na véspera por Adriaanse, incluindo... Hesselink. "Hesselink, por oito milhões, para um clube português não é ser realista. Se as pessoas soubessem que ainda no último mês tivemos que pagar muitas centenas de milhares de contos de impostos, sabia que nos tempos actuais, os clubes portugueses são obrigados a vender e não podem pensar em jogadores de oito milhões. O futebol português não os comporta e isso é ser irrealista. E eu sou realista", frisou.
Apesar de tudo, desta vez, Pinto da Costa não afastou liminarmente a hipótese da equipa ainda ser reforçada, limitando-se a recordar que esse tipo de negócios não se faz na imprensa. "Quando conseguimos contratar alguém tratamos de o apresentar, mas não temos o hábito de discutir na praça pública as nossas necessidades. Só quando há alguma coisa concreta é que falo sobre essa matéria", referiu.
"Vítor Pereira na arbitragem? Acredito que pode ser bom"
Enquanto Pinto da Costa estava na Holanda, Hermínio Loureiro apresentou a sua lista à presidência da Liga. O presidente do FC Porto ficou a saber dos nomes escolhidos pelo candidato único durante a viagem de regresso a Portugal, mas evitou alargar-se em considerações sobre o assunto porque, afirma, não conhece quase niguém. "Dos clubes que fazem parte da Direcção não se sabe quais os elementos que vão integrar a lista. Os membros que vi do Conselho de Disciplina, não conheço nenhum, os membros da Comissão Executiva, conheço apenas a que estava como Secretária Geral. Presumo que tenham sido escolhas de Hermínio Loureiro, o que acho excelente, porque um líder deve ser responsável pela sua equipa e para isso deve escolhê-la, ao contrário do que acontece na Federação, onde o líder chefia uma equipa que lhe impõem".
Particularizando a escolha de Vítor Pereira para a arbitragem, Pinto da Costa admitiu algumas supresa - "tudo levava a crer que Luís Guilherme continuasse" - mas mostrou-se tranquilo. "Vítor Pereira é um nome da arbitragem e pelo menos não se pode dizer que houve pressão de alguém. Foi outra escolha de Hermínio Loureiro. Quem aceita um cargo desses, com o prestígio que ele tem, virá certamente com a melhor da intenções e acredito que pode ser bom".
Alvo
Já não me lembro exactamente onde é que ouvi dizer que é aconselhável ter cuidado com o que se deseja. Ora, parece-me que Co Adriaanse anda ocupado nos últimos tempos a desejar um enorme e florescente alvo mesmo no meio do peito. Até percebo que o holandês diga que, sem outro avançado, o FC Porto continuará a jogar bonito, mas a perder. É apenas uma forma muito pouco subtil de pressionar a SAD portista a dar-lhe o que anda a pedir desde o final da última temporada. E é uma forma ainda menos subtil de lavar as mãos no caso de alguma coisa correr mal se o tal avançado não vier. Mas é mais do que isso. Por detrás da evidente e desajeitada chantagem psicológica, esconde-se uma promessa. A promessa de que, com esse avançado, o FC Porto poderá crescer o suficiente para poder olhar nos olhos colossos como o Manchester United e o Inter de Milão. Ora, não sei exactamente que avançado poderá resolver os problemas que o FC Porto acusou na defesa durante o Torneio de Amesterdão, mas Adriaanse percebe certamente muito mais de futebol que eu. Acredito que o FC Porto vai fazer a vontade ao treinador e vai dar-lhe o tal avançado que tanto deseja. Acredito nisso, mas acho que mesmo sem ele uma equipa como o FC Porto, com o plantel que tem agora, não pode ficar satisfeita a jogar bonito e a perder. No mínimo, tem que tentar jogar bonito e empatar ou até, que diabos, jogar feio e ganhar. E parece-me que é responsabilidade do treinador encontrar soluções para o conseguir, muito simplesmente porque não acredito que tenha sido contratado para jogar bonito mesmo que perca. Acredito que a SAD do FC Porto vai encontrar uma forma de dar a Adriaanse o tal ponta-de-lança que ele tanto deseja. Depois, como é evidente, ficará toda a gente apontada ao alvo que o holandês fez questão de desenhar no peito à espera para lhe cobrar os golos e as vitórias que esse avançado certamente vai acrescentar ao futebol reconhecidamente bonito que o FC Porto já joga.
Anormalidade
"Não é normal sofrer dois golos num minuto, pelo menos não me lembro de ter acontecido antes. Mas esta é a altura certa para rectificar o que está mal"
Pinto da Costa
Tranquilizante
"Os adeptos têm de estar tranquilos porque quando começar a época, com a Supertaça Cândido de Oliveira, o FC Porto vai estar bem e vai conseguir o triunfo"
Ibson, jogador do FC Porto
Co Adriaanse e o desafio europeu
O bom humor de Co Adriaanse foi a nota mais positiva da passagem do F.C. Porto pelo Torneio de Amesterdão, o que diz quase tudo.
O campeão português encaixou seis golos e marcou apenas metade. Mesmo assim o treinador holandês reagiu bem e assumiu o papel de estrela na última conferência.
Pela segunda vez esta época, Co Adriaanse desafiou o presidente. Quer dizer, pode não ter sido essa a ideia, mas foi esse o resultado. Há umas semanas insistiu em Hesselink ao mesmo tempo que o presidente dizia que o negócio não se faria. Agora deixou claro que se o clube não tem dinheiro para um avançado vai continuar a perder quando defrontar equipas como Manchester e Inter.
Claro que o problema não é exactamente esse. Antes de se preocupar com as equipas que encontrou em Amesterdão, Co Adriaanse deve arranjar forma de ganhar, por exemplo, a clubes como o Artmedia.
Depois de ter sido campeão em Potugal com um sistema invulgar, e entusiasmante, que ninguém conseguiu desmontar, esta época Co Adriaanse tem de testar a sua criação na Europa.
O futebol romântico de Co Adriaanse é adorável (e nunca serei eu a criticar um treinador que gosta de ver bom futebol), mas, como se viu no Torneio de Amesterdão, está longe de ser eficaz quando se cruza com adversários poderosos.
Sim, o F.C. Porto teve muita posse de bola com o Inter, mas isso faz parte da forma de estar dos italianos. Sim, também foi um pouco assim com o Manchester United, mas a equipa de Ferguson já ganhava 2-0 aos 20 miutos.
Se olharmos para o volume ofensivo da equipa portista, os sinais não são preocupantes. A maioria dos golos sofridos resultaram de falhas individuais, que certamente não se repetirão com esta invulgar frequência. Mais importante do que isso foram os espaços oferecidos, as vezes que o adversário conseguiu forçar contra-ataques, o que é fatal perante jogadores que estão entre os melhores do mudo.
Resumindo, pouca coisa no Torneio de Amesterdão altera o que se pensa da equipa do F.C. Porto: tem um modelo atraente, cria muitas oportunidades, mas continua vulnerável na Europa. E este ano os adeptos exigem mais na Liga dos Campeões.
P.S. 1: O jogo com a Roma deixou entusiasmados diversos adeptos portistas, alguns dos quais não resistiram a manifestar a sua indignação perante o que qualificaram de «dúvidas existenciais» dos que ousam pensar (e afirmar) que o F.C. Porto não é perfeito (embora seja a melhor equipa portuguesa). A necessidade de ser mais papista do que o papa é algo incompreensível. E lamentável.
P.S. 2: O Torneio de Amesterdão teve pelo menos uma vantagem: Co Adriaanse ficou a conhecer Adelino André Vieira de Freitas, um rapaz com algum jeito para a coisa que o F.C. Porto tem andado a criar. Também responde pelo nome de Vieirinha.
Pôncio protesta, Filipe Vieira apoia
Pode parecer ilusão de óptica, mas não! É verdade que não é todos os dias que os representantes dos mais emblemáticos clubes portugueses trocam abraços e apoiam-se mutuamente. Mas, na Taça Nené Novais e em pleno “clubhouse”, perante dezenas de “testemunhas”, Luís Filipe Viera, presidente do Benfica, abraçou e demonstrou toda a sua solidariedade a Pôncio Monteiro, capitão do FC Porto. Em causa, note-se, não estava nenhuma jogada ou resultado alcançado num relvado de futebol…
O efusivo abraço de Filipe Vieira a Pôncio Monteiro foi o culminar de um protesto levado a cabo pelo capitão dos dragões que viu, por mero lapso, o Sporting ser anunciado como o campeão do torneio. A festa dos verdes e brancos foi curta, uma vez que o responsável nortenho reclamava um erro de cálculo nos resultados da sua formação. Luís Filipe Vieira, perante tal manifestação, não hesitou e incentivou o representante do FC Porto. “Pôncio, estou ao teu lado”, gritava muito bem disposto o presidente do clube da Luz, defendendo que “era o sistema” em acção.
Já o ambiente estava ao rubro com tão animado episódio, que o bem humorado Pôncio Monteiro não abdicou da oportunidade de explicar ao presidente dos encarnados o motivo da sua reclamação, ao mesmo tempo de que deixava escapar: “Já estamos habituados”. Resumindo: o líder dos dragões conseguiu o apoio de Filipe Vieira, que não parava de rir e estimular o protesto, ganhou o reconhecimento dos adversários e conquistou o troféu.
Franz Hoek : "Baía está muito bem"
A assistir ao treino estava uma cara familiar para Adriaanse, que conversou com ele uns bons minutos. Até aqui, nada de especial. Afinal, estamos na Holanda e, por aqui, é natural que o reconheçam em qualquer parte. A história começou a ganhar interesse quando Vítor Baía também o reconheceu, deixando por instantes o plantel para colocar a conversa em dia, "hablando" em espanhol. A boa educação mandou fechar os ouvidos à conversa alheia, mas, depois, a curiosidade, que dizem ter dado cabo do gato, falou mais alto, até porque, olhando atentamente, a cara também começava a ficar familiar para um português minimamente informado sobre futebol. Uma pergunta aqui, outra acolá e fez-se luz, em forma de nome: era Frans Hoek, treinador de guarda-redes do Barcelona no tempo de Van Gaal. Dito por outras palavras, quando Baía foi atirado para o banco. "Ele foi sempre muito profissional e a nossa relação era muito boa, apesar dos problemas que, como é sabido, teve com Van Gaal", disse Hoek a O JOGO, procurando ser diplomático na justificação do afastamento do guarda-redes. "Acabou por ser prejudicado pelo sistema de jogo, que nos parecia mais adequado a Hesp". Isso e o azar físico. "Teve também o problema no joelho". Não negando ter ficado surpreendido com tudo o que Baía ganhou depois disso, da parte de Frans Hoek só ficou um sentimento de orgulho quando assistiu a essas vitórias. "Fiquei muito contente por ele, que era, na altura do Barcelona, um dos melhores, senão mesmo o melhor, guarda-redes da Europa, conforme provou depois no FC Porto".
O esquema usado pelos portistas - ironicamente até chegar Adriaanse, outro holandês - beneficiou o português. "A defesa jogava de uma forma mais compacta". Depois de assistir ao treino, Frans Hoek só não soube responder a uma questão: até quando durará Baía ao mais alto nível? "Depende do corpo, das condições físicas, mas, pelo que vi aqui, ainda está muito bem e capaz de defender mais algum tempo". Depois de tanto elogio, Baía só é capaz de lamentar que Van Gaal não tenha ouvido Hoek.
FC Porto goleia na Holanda
O FC Porto goleou o Rijnsburse Boys, equipa amadora da Holanda, por 5-2. Este foi o último encontro particular realizado na Holanda este ano.
Os golos do FC Porto foram marcados por Lisandro Lopes (30 e 73 minutos), Cech (31) e Jorginho (80 e 87). Gootjes (48) e Egmond (84) reduziram para os locais.
A partida ficou marcada pela expulsão de Adriano, aos 55 minutos, devido a uma falta por trás num advrsário.
O FC Porto viaja na quarta-feira para Inglaterra onde vai defrontar o Portsmouth e o Manchester City.
FC Porto:
Paulo Ribeiro; Bosingwa, Pepe e Pedro Emanuel; Paulo Assunção, Ibson, Cech e Anderson; Alan, Lisandro e Vieirinha. Jogaram ainda: Ricardo Costa, Quaresma, Tarik, Bruno Alves, Ezequias, Raul Meireles, Jorginho, Adriano e Diogo Valente


"Quero um avançado mas teremos de ser criativos"
"Às vezes encontrámos alguma coisa na rua". A frase não é para levar à letra, mas espelha a necessidade que o técnico tem de reforçar a equipa com um homem que faça golos. Enquanto não chega, os jogos do Torneio servirão para testar alternativas
Co Adriaanse anseia pela chegada de um avançado. A pouco mais de quinze do início da temporada, ainda não há sinais do tão desejado homem que faça a diferença no ataque. O holandês sabe que os cofres do FC Porto não são tão fundos como os dos adversários no Torneio de Amesterdão - até deu o exemplo dos 27 milhões de euros gastos por Alex ferguson em Carrick - mas ainda não perdeu a esperança. Sem dinheiro para craques, a solução passa por alternativas menos mediáticas."Todos queremos um avançado. Já o discutimos há um ano e entretanto vendemos o Hugo Almeida, o McCarthy e o Bruno Moraes e o Sokota estão lesionados. Nada mudou. A filosofia é a mesma. Não há dinheiro, mas às vezes encontramos alguma coisa na rua. Temos de ser criativos para encontrar e observar a pessoa certa", referiu.
Enquanto o avançado não chega, Co Adriaanse tem de preparar a Supertaça Cândido de Oliveira e o início da Liga apenas com Adriano. Ou, quem sabe, sem um homem fixo na área."O período de preparação é precisamente para experimentar. Fizemo-lo contra equipas amadoras e profissionais, como o Groningen e o Heracles. Agora será contra o Manchester e o Inter e podemos aproveitar para encontrar soluções para problemas que a equipa tenha", explicou.
Co Adriaanse sabe que os adversários no torneio são equipas de "nível internacional", mas os objectivos não se alteram."Amanhã [hoje] quero dominar e vencer como nos outros jogos", frisou.Para além do valor dos oponentes, o holandês terá ainda de conseguir gerir o plantel, que fará dois jogos em dois dias e só com cinco substituições autorizadas."É bom, contra equipas amadoras, apresentar dois onzes distintos, ter a posse de bola, dominar, criar muitas oportunidades e marcar muitos golos. Amanhã [hoje] vou apresentar a melhor equipa porque queremos vencer todos os jogos e o torneio. O guarda-redes conseguirá, de certeza, fazer 180 minutos, assim como os jogadores que estiverem na bancada vão conseguir assistir aos dois jogos sem problemas", brincou.Mais a sério, explicou que o onze que vai defrontar o Inter de Milão ainda não está definido."Talvez alguns deles consigam aguentar, mas vou ter de esperar para ver se tenho lesões, pequenos problemas ou outras coisas desse tipo. Só vou decidir no sábado".
"Não é só comprando jogadores que se vence"
Manchester United e Inter de Milão são os adversários mais fortes da pré-temporada azul e branca e até podem voltar a cruzar-se na Liga dos Campeões - os italianos estavam no mesmo grupo na época passada. Dois nomes que o técnico portista respeita, sobretudo pelo poder de compra, mas que não teme pois, na sua opinião, existem outros argumentos capazes de fazer uma equipa a melhor entre iguais. O próprio FC Porto de 2004 é um bom exemplo."O Manchester e o Inter são das melhores da Europa, mas posso mencionar dez ou quinze mais de qualidade idêntica, com experiência e que podem comprar os jogadores que querem. Por exemplo, o nosso adversário de amanhã [hoje] comprou um jogador por 27 milhões de euros. O FC Porto é um clube de topo, na sua história, nas condições de trabalho, na organização. No que diz respeito a comprar jogadores não somos de topo. Mas são estes os clubes que concorrem connosco na Liga dos Campeões. Nessa prova nunca se sabe o que pode acontecer e não é só comprando jogadores que se vence. Também é possível com menos dinheiro, mas um bom espírito de equipa e um grupo forte", lembrou.E é este o caso?"No futebol nunca se sabe. Vamos ver na próxima época, mas tenho muita confiança na equipa. Estou a trabalhar há um ano com eles e conheço-os bem e eles a mim".
"Desde Maio sou um treinador de topo"
Há um ano, na conferência de Imprensa de apresentação do torneio, Co Adriaanse tinha acabado de chegar ao FC Porto e o melhor que o seu currículo apresentava era a meia-final da taça UEFA, ao serviço do AZ Alkmaar. Título, nem um e por isso o holandês disse que não era um treinador de topo. O discurso, no entanto, mudou."Podem dar-se várias definições para um treinador de topo. Pode ser o que consegue retirar tudo da sua equipa e mesmo assim termina em décimo ou décimo quinto lugar. Há um ano disse que um treinador de topo era o que ganhava títulos. Desde o dia 14 de Maio, quando ganhámos a Taça, que tenho dois títulos. Seguindo esse raciocínio, agora, sou um treinador de topo", brincou.Da mesma fora que Co Adriaanse é melhor treinador do que há um ano, também o FC Porto evoluiu."Se assim não fosse era sinal de que não tinha feito um bom trabalho. Olhando para o historial das equipas que orientei foram sempre melhores no segundo e terceiro ano. Não porque comprei jogadores, mas porque trabalhei e melhorei os que tinha. Como o Raul Meireles, o Ibson, o Anderson, o Quaresma", exemplificou.
in Ojogo
"O plantel está fechado e espero que a equipa técnica consiga tirar o melhor rendimento de todos os jogadores, como acredito que vá acontecer"
McCarthy diz que FC Porto acusou saída de Mourinho
Em declarações que lhe atribuídas pela Imprensa inglesa, McCarthy refere que o FC Porto ainda não conseguiu ultrapassar a saída de José Mourinho. Para o sul-africano, que se transferiu recentemente para o Blackburn, os portistas dificilmente chegarão ao mesmo patamar atingido sob o comando do agora treinador do Chelsea. "O FC Porto mudou mesmo muito desde que saiu. Ele produzia um tipo de futebol e uma mentalidade mais aguerrida", disse, sublinhando que o clube "está pior" desde a saída de Mourinho. "Apesar de o futebol em Portugal não ser tão competitivo como em Inglaterra, o FC Porto mostrou que conseguia sobreviver ao mais alto nível e conquistar troféus. Agora, a equipa desceu alguns níveis, já não há o mesmo ambiente. O futebol e o espírito não são os mesmos", acrescentou, mostrando-se ansioso por reencontrar José Mourinho no futebol inglês. "O F.C. Porto está a tentar regressar ao nível que tinham quando Mourinho era o treinador, mas vai ser difícil. Ele é um treinador muito especial. Nunca mais falei com ele, desde que saiu do Porto. Nunca tive oportunidade de agradecer-lhe pelo que fez por mim", explicou o sul-africano.
in Ojogo
" (...) Mais tarde ou mais cedo a palavra " jardinesco" entrará nos dicionários. " Jardinesco, adj.Grosseiro; grotesco;ignorante;lampo; diz-se de pessoa que se comporta de forma arrogante e espalhafatosa. Do nome de um político madeirense de finais do séc.XX e princípios do séc.XXI, será, ao lado de expressões como "bastardos" e "filhos da puta", a mais estimável contribuição de Alberto João Jardim para o enriquecimento da língua pátria. É nesse sentido que se fala hoje da "jardinesca" Repblúcica das Bananas que o PSD ( com Marques Mendes, tão severo noutros casos, assobiando gloriosamente para o lado) mantém na Madeira e que, além do presidente do Governo, tem outro dos seus "tops" no folclórico Parlamento Regional. Aqui, os insultos, as agressões verbais e as ameaças f´sicas entre deputados são o pão-nosso-de-cada-dia. Mas os jornalistas e os visitantes não podem apresentar-se de sapatilhas ou "t-shirts" em nome do "prestígio"(do latim "praestigiae": aparências, imposturas) de tão distinto lugar..."
Nas últimas semanas anda muita gente a comparar o futebol italiano com o futebol português. Não o futebol jogado dentro das quatro linhas, onde seria normal cotejar o primeiro lugar da equipa de Marcelo Lippi com o quarto posto do nosso «sargentão», mas antes o que gira à sua volta e dos seus bastidores.
No fundo, o que as pessoas têm feito é dar o exemplo do chamado «Calciocaos» para julgar e decidir que se fosse em Itália o caso Apito Dourado já estava resolvido há muito. Às vezes gostamos de falar do que não sabemos e caímos no erro de comparar processos que à primeira vista são semelhantes, mas que na verdade correm por trâmites totalmente distintos.
Como naqueles passatempos típicos de Verão, vamos lá ver as sete diferenças entre a fotografia do «Calciocaos» e a do Apito Dourado.
1- Em Itália tudo se passa no âmbito de um tribunal desportivo. Em Portugal são os tribunais comuns e o Ministério Público que tratam do caso.
2- No país da bota às infracções cometidas no mundo da bola correspondem penas que esgotam os seus efeitos nesse universo, ainda que eventualmente acompanhadas de sanções pecuniárias. Ou seja, ninguém pode ser preso porque tentou influenciar o resultado de um jogo de futebol. Por cá, submeteu-se a esfera do futebol ao regime do tráfico de influências em geral e os supostos «traficantes» podem passar vários anos na cadeia se alguém conseguir provar que o dirigente A pediu ao árbitro B que desse uma ajuda para a sua equipa não descer de Divisão!
3- O tipo de tribunal e a natureza das penas a que se sujeitam os prevaricadores italianos permite que os prazos e as garantias da defesa sejam compagináveis com os «timings» desportivos que não podem ser ultrapassados. Tudo o que se passa numa época tem que estar resolvido antes da nova se iniciar. Como em Portugal o que está em jogo é a própria liberdade, é evidente que as garantias da defesa e os prazos não podem ser dispensados ou encurtados só porque o campeonato vai começar dentro de poucas semanas.
4- No caso transalpino quem julga estes casos é gente especializada que sabe da poda. No nosso rectângulo temos juizes que nunca foram a um estádio e têm que recorrer a peritos externos para perceber o que é um fora de jogo.
5- Por lá, quando se detecta uma irregularidade investigam-se os factos, apontam-se os culpados e decide-se o caso, em vez de ambicionar resolver todos os problemas e desgraças do mundo de cada vez que se apanha nas escutas um pobre coitado a pedir fruta para relaxar um trio de arbitragem.
6- No caso italiano a cabeça do polvo, Moggi, foi confrontada com factos indiscutíveis e indesmentíveis e apressou-se a apresentar a demissão dos seus cargos dirigentes, antecipando a sentença. Em Portugal, o Ministério Público montou um circo mediático à volta de dezenas de arguidos, confrontou-os com umas escutas de qualidade duvidosa, misturadas com trechos de mau gosto e total irrelevância, e depois fica tudo muito ofendido porque quem foi exposto ao vexame público não lhes fez a vontade de se demitir.
7- Diferença final. Em Itália os principais beneficiados são os principais prejudicados: os clubes, que assim aprendem a ter mais cuidado na escolha dos seus dirigentes.
ENGENHEIRO DO TENTA
SANTOS da casa não fazem milagres? O meu querido amigo Fernando Santos vai ter de comer o pão que o diabo amassou para responder positivamente a esta questão.
Santo homem que é, em todas as interpretações possíveis da conjunção destas duas palavras, o "engenheiro do penta" do FC Porto vai ter também que fazer das tripas coração para desmentir todos os que já lhe vaticinam que, agora no seu clube de sempre, vai ficar conhecido como o "engenheiro do tenta".
A conferência de imprensa da última quinta-feira, onde imagino que tenha estado pelos cabelos, não foi um começo auspicioso. Aproveitando o intervalo do Portugal o-Sérvia e Montenegro 2, o Benfica decidiu usar os telejornais dessa noite para apresentar o seu novo reforço, Rui Costa, vindo directamente do banco do AC Milan. Depois de conhecido o desfecho dos Sub-21, é caso para dizer que essa noite voltou a confirmar que uma desgraça nunca vem só.
Apesar de tudo, os jovens têm sempre uma grande vantagem sobre os velhos: há sempre uma segunda oportunidade para corrigir a má imagem.
Luís Filipe Vieira e José Veiga acabam de oferecer a Fernando Santos uma ave de rapina: Rui Costa aterrou na Luz com a missão clara de roubar o número 10.0 Benfica está condenado a ser ele e mais dez. Meu caro Fernando: no dia em que o Quinito se lembrou disso nas Antas, acabou o sonho a meio da época
O Benfica 2006/2007 prepara-se para sofrer da síndrome Claudia Schiffer. Há doze anos deslumbrava o mundo. Hoje, continua muito gira mas já não mexe. Há doze anos que os benfiquistas sonham com o regresso do filho pródigo. Damásio teve pena. Vale e Azevedo tinha razão, Vilarinho teve esperança e Vieira tinha que "matar o borrego" .
Há doze anos que Rui Costa se incluiu no rol das exportações do talento nacional. Durante vários anos, o sonho encarnado de o ter de volta era justificado, mas sempre foi mais promessa eleitoral que possibilidade consciente. Agora, quando o jogador já tem 34 anos, parece demasiado pedir-lhe que venha ser o motor do novo Benfica de Fernando Santos.
Se foi o próprio Rui Costa, quando se auto-excluiu da selecção, o primeiro a reconhecer que já não tinha condições para estar no Mundial-2006, como é que é possível pensar que ele estará nas condições ideais para o meio-campo do Benfica até 2007?

Morreu a Heidi
Sempre pensei que a Comissão Disciplinar da Liga deixaria este mundo pela via tradicional entre os da espécie, uma estaca enterrada no coração. Nunca me ocorreu que pudesse expôr-se à luz do dia de livre vontade, provocando esta náusea unânime nos opinadores, finalmente disponíveis para simular um grande choque pela visão desobstruída daquele conjunto de carácteres, como se fosse a primeira vez que lhe punham os olhos. Quem os lê fica convencido de que viram a Heidi a fumar um charro. Esta Heidi, compinchas, é outra. É a Heidi dos filmes suecos e do serviço de acompanhantes.
A decisão de manter o Gil Vicente na Liga talvez seja a mais justa de todas as que tomou e, não sendo límpida, também não perde na comparação de processos com umas quantas de que me lembro bem. Desta vez, a incorrecção e os maus motivos sempre garantem, ou prometem garantir, que uma equipa usufrui do que ganhou legitimamente em campo. Mas não é apenas a opinião que faz este sonso ar de surpresa.
Também as pequenas parcelas da Comissão Disciplinar - os "membros" -, correm a demitir-se, empurrados pela "máfia" com que sempre haviam colaborado em perfeita harmonia, sem dar pela falta de escrúpulos, apesar da delicada sensibilidade que agora os fez indignarem-se porque o presidente mudou de opinião e um colega decidiu usar o voto a favor do clube da família. Compreendo. De facto, é preciso possuir uma dose reforçada de neurónios, ou mais de oito anos de idade, para saber de antemão que a Heidi faz tudo o que o avô manda. A dos desenhos animados e a outra.
À Comissão
Era mais ou menos inevitável que a Comissão Disciplinar da Liga crescesse e se espalhasse até se tornar num verdadeiro ataque de sarna para o futebol português inteiro se coçar. É o que acontece quando se ignoram sintomas de infecção tão evidentes como aquela comichão persistente e localizada e o vermelhão inflamado que caracterizavam a maior parte das suas decisões mais polémicas.
Fosse por gritante incompetência, fosse mais simplesmente por má fé, fosse por uma mistura particularmente patogénica das duas coisas, o facto é que várias decisões tomadas pela CD da Liga ao longo dos últimos anos vão ficar para a história do futebol português como algumas das mais virulentas de sempre. É claro que enquanto foi só o FC Porto a coçar-se ninguém deu muita importância ao caso, descontando as constantes queixas dos portistas no seu proverbial mau feitio e conhecida tendência para o exagero.
O problema é que estas coisas, quando não se tratam, acabam por infectar tudo à sua volta. E depois já não vamos lá com pomadas e comprimidos; é preciso cortar o mal pela raiz. A verdadeira embrulhada jurídica em que a CD transformou o "caso Mateus", a forma como despudoradamente decidiu num caso em que existiam evidentes conflitos de interesses dos seus membros - aliás na linha daquilo que foi a sua actuação ao longo das últimas temporadas - só podia acabar em confusão. E da grossa. De repente, o início dos campeonatos está ameaçado e há pelo menos dois clubes que em plena pré-temporada, em fase de investimentos para a próxima temporada, ainda não sabem que prova vão disputar. Ainda assim, há coisas positivas a retirar de tudo isto.
Por um lado, toda a gente vê a Comissão Disciplinar da Liga por aquilo que ela sempre foi: um foco infeccioso de instabilidade, arbitrariedade e injustiça. Por outro, este triste caso teve o condão de acabar de uma vez com CD. Vamos levar algum tempo a recuperar dos seus efeitos perniciosos, podemos até passar uns dias na cama, mas um dia destes vamos ter aquela sensação boa de nem sequer repararmos que já não temos comichão.