terça-feira, outubro 24, 2006

OS SÍMBOLOS CONTAM

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OS SÍMBOLOS CONTAM

Ao menos isso: devolvam-nos os equipamentos das nossas equipas, tal como eram e sempre foram até ao dia em que os «marqueteiros» resolveram vender clubes como quem vende sabonetes


1- A jornada europeia da semana passada veio adensar as piores perspectivas: que nenhum dos três grandes consiga seguir em frente na Liga dos Campeões e que o Braga morra na fase de grupos da Taça UEFA. Braga e Benfica foram inapelavelmente derrotados por margem que não deixa dúvidas: 3-0. Sim, já sei, não tiveram a sorte do jogo; ao contrário dos adversários, falharam só na concretização; os resultados foram enganadores, já que dominaram os respectivos jogos em largos períodos; etc. e tal, o fado do costume. Certo, certo, é que ambos nunca chegaram verdadeiramente a discutir o resultado. O mesmo choradinho se ouviu a propósito da derrota caseira e comprometedora do Sporting: que «dominou 80% do jogo» (do qual, metade jogando contra dez), que só falhou na concretização, e por aí fora, mais do mesmo. Certo, porém, é que o Bayern entrou em Alvalade a pôr o Sporting em sentido desde o primeiro minuto e só abrandou quando chegou ao golo e se viu em inferioridade numérica. O FC Porto, depois de um arranque altamente negativo na competição, cumpriu a sua obrigação de vencer em casa um Hamburgo desfalcado e até fez o seu melhor jogo da época. Poderia ter reentrado na luta pelo segundo lugar se, lá longe em Moscovo, um árbitro espanhol não se tivesse lembrado de anular ao Arsenal, e já ao cair do pano, um golo limpíssimo do Thierry Henry. Foram dois pontos dados ao CSKA que, tudo indica, virão a ser decisivos, a menos que o FC Porto consiga a proeza de vencer dois dos três jogos que faltam e empatar o outro.

Eu, todavia, olho para este cenário carregado com uma dose grande de fatalismo e pessimismo. Acho que o futebol europeu ao mais altíssimo nível, que é o da Liga dos Campeões, é hoje praticamente inacessível a qualquer equipa portuguesa. O FC Porto de Mourinho foi um epifenómeno resultante de um conjunto de circunstâncias de felicidade e mérito que acontecem uma vez em cada geração, se tanto. Lembro-me de quando estava a abandonar o Arena AufSchalke, em Gelsenkirchen, nessa noite inesquecível, pensar que certamente nunca mais, em dias da minha vida, eu iria ver o meu clube ou qualquer outro clube português ser campeão da Europa. Quando olhamos, por exemplo, para o banco do Real Madrid e do Barcelona, no derby espanhol deste domingo, ou quando vemos o CSKA jogar contra o Arsenal com três brasileiros, dois dos quais da Selecção, e o Arsenal jogar sem nenhum inglês e onze internacionais de oito países diferentes, percebemos que o tradicional jeito português para a bola já não chega nem pode chegar para fazer frente a estas multinacionais do futebol.

Por isso mesmo, eu compreendo o desabafo do José Manuel Delgado: que o Benfica leve três do Celtic em Glasgow, ainda vá que não vá, agora que nem ao menos jogue de encarnado e branco, optando por aquele horrendo equipamento cor de minhoca desenterrada, isso é que, mais do que uma derrota, é o desfazer de uma história. Ao menos isso: devolvam-nos os equipamentos das nossa equipas, tal como eram e sempre foram até ao dia em que os marqueteiros resolveram vender clubes como quem vende sabonetes.


2- O Sporting-FC Porto, o primeiro derby do ano, foi um mau e marcado pelo mau estado do terreno, pelo cansaço europeu das duas equipas e pela ausência do astro maior que actualmente brilha nos estádios portugueses: Anderson, de seu nome. Jesualdo Ferreira assumiu, com seriedade, o mau jogo e a má exibição portista - assim como podia ter assumido também o erro que foi desfazer, no lado direito, a dupla Fusile-Quaresma, que estava a pôr em sentido o Sporting, ou como podia ter assumido a vã teimosia de continuar a apostar num Lucho González que parece a alma penada do outro que por aqui passou na época transacta. Mas já Paulo Bento, revelando menor ambição, achou que o Sporting jogou bem, que teve várias oportunidades de golo (?!) e nem sequer teve pudor em reclamar uma mais que duvidosa expulsão de Paulo Assunção (teriam sido duas faltas, dois cartões amarelos...), para que, pela segunda vez consecutiva, o Sporting pudesse ter beneficiado da vantagem de jogar toda a segunda parte em superioridade numérica. Pelos vistos, onze contra onze é um problema insolúvel.


3- E com tudo a juntar-se no malto da tabela, aí vem um Porto-Benfica - espero eu e todos os portistas, já com o Anderson, que, como se demonstrou em Alvalade, representa 60% da capacidade ofensiva da equipa.

Infelizmente, o Porto-Benfica já começou mal, com o episódio dos bilhetes, onde o FC Porto aproveitou para se vingar, na mesma moeda, da patifaria que o Benfica lhe fez há dois anos. Actos destes são um recado directo aos espectadores: quando o jogo é grande, dispensamos a presença de adeptos do clube forasteiro. Eis o que indubitavelmente contribui para atrair público aos estádios!

E, como se não bastasse o episódio dos bilhetes, o presidente do Benfica, tentando certamente fazer esquecer aos benfiquistas a hecatombe de Glasgow e visando animar a mais chata campanha eleitoral de que há memória nos anais da democracia, resolveu abrir fogo de barragem, em termos pessoais, contra o presidente portista. O qual respondeu à letra, no mesmo tom de elevada elegância. Eis o contributo de ambos para um bom ambiente no Dragão, no próximo sábado.


4- Imagem igualmente eloquente e marcante a de João Loureiro virando costas à equipa quando esta ficou a perder 3-0. Se houvesse alguém acima dele no clube, talvez o tivesse despedido na hora. Como não havia, foi ele que despediu o treinador.


5- Outra imagem marcante, e vai sendo repetida quase todas as semanas e, esta sim, a valer a pena ver: todos os putos do FC Porto que marcam golos, correm para abraçar... Vítor Baía. É curioso que Baía possa ser, pelos vistos, mais importante sentado no banco de suplentes do que alguns que andam lá dentro. E é curioso que sejam os putos a lembrar o que alguns parecem ter esquecido: que foi a geração de jogadores do Baía que levou ao clube o célebre e inimitável ambiente de balneário que fez do FC Porto um clube vencedor. Hoje, resta só ele e Pedro Emanuel.

Por ter percebido isso, é que Mourinho foi buscar de volta o Jorge Costa e é por perceber essas coisas que ele foi campeão europeu. Por o não terem percebido, é que Octávio e Adriaanse se permitiram desdenhar do Jorge Costa e por isso é que ambos não passaram da vulgaridade.

Durante anos a fio, Jorge Costa foi também desprezado por quase todos os não portistas. Que era lento, que era caceteiro, que era isto ou aquilo. Mas nós, portistas, sorríamos para dentro: nós sabíamos o que ele valia e sabíamos que a sua importância na equipa começava e continuava muito para além do tempo dos jogos. E sabíamos, por exemplo, que o que faltava e continua a faltar ao Benfica é um ou dois jogadores e homens como Jorge Costa para ensinar aos outros o que é um clube, o que é o espírito de sacrifício e o que é a ambição de vitória. Agora, que, retirado, Jorge Costa recebeu os elogios do mundo, e agora que o capitão do FC Porto é um estrangeiro chegado no ano passado, a voz de inspiração e de comando dos miúdos que jogam de azul e branco é o Baía, mesmo sentado no banco de suplentes!






BRAVO II




PASSIVO TOTAL DO BENFICA:

315 MILHÕES , 579 MIL EUROS

Bravo!!

José Manuel Ribeiro no Ojogo:


Quereres e poderes


A conjugação do verbo querer no futebol surpreende sempre, por muito que a ouçamos. É uma cornucópia de surpresas que nos adocicam a leitura dos jornais desportivos e vão preenchendo todos os cantinhos do cérebro com pedaços de informação cujo valor só poderemos calcular verdadeiramente quando, um dia destes, nos esquecermos do código do multibanco. Ele há os que "querem" ganhar os jogos, os que "querem" ganhar o campeonato, os que "querem" ganhar a Liga dos Campeões, os que "querem" marcar golos, os que... A surpresa está no que eles fazem supor. Para sentirem tanta necessidade de comunicar esses apetites ao Mundo é porque devem saber de gente que recusaria vitórias, golos, campeonatos e Ligas dos Campeões se lhos oferecessem. Por gentileza de Paulo Bento, ficámos anteontem a conhecer um. Jesualdo Ferreira. "O Sporting foi a única equipa que quis ganhar", reclama o treinador do Sporting. Uma conversa no café e dez minutos à volta dos blogues portistas confirmam: os adeptos do FC Porto estão de acordo. Jesualdo não se livra da reputação de não querer ou, pelo menos, de recear querer tanto quanto podia.

Mas, no caso do clássico, ou é muito injusto esse retrato ou é injusto o pedestal em que colocámos o Sporting nestas primeiras semanas de competição. O FC Porto abanou há pouco tempo. Ainda cai poeira do tecto. Os médios ainda perguntam uns aos outros quem vai e quem fica. Se tivesse ganho no domingo em casa do mais confiante e admirado dos adversários, estaria tudo dito sobre este campeonato e talvez sobre os próximos. Não tendo perdido, a pergunta é para Paulo Bento. Se não agora, quando?


Testemunha em casa

Santos à Judiciária

Os dados


a) Luís Filipe Vieira põe as fichas todas no "Apito Dourado";
b) O treinador do Benfica trabalhou três épocas no FC Porto;
c) O treinador do Benfica esperava expulsões no jogo que antecede o confronto com a antiga equipa.

A pergunta. Por que razão não vai Fernando Santos à Judiciária prestar depoimento e explicar três coisas:

a) o que o fez recear as expulsões;
b) se o que insinua lhe vem da experiência vivida no FC Porto, foi assim ou não que ganhou o único título nacional da sua carreira;
c) a ser verdade, como raio arranjou maneira de perder dois campeonatos?

segunda-feira, outubro 23, 2006

7ª Jornada: SPORTING 1 - FCPORTO 1

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Não vi nem ouvi...só vi os principais lances e li algumas opiniões...e chegou-se à conclusão que um FCPORTO "normal" teria ganho naturalmente este jogo, só que há peças no FCPORTO a milhas do rendimento exigido, tipo Lucho, Assunção, etc,etc. Parece também que o mito sobre a valia da equipa de alvalade caiu...maior caudal ofensivo mas fraquinhos...O golo sofrido pelo FCPORTO é inacreditável...Há culpas para vários jogadores...e no golo do FCPORTO há que fazer um agradecimento especial ao Ricardinho dos frangos, pois só ele poderia sacudir a bola para a frente mesmo ao jeito do Quaresma...e pouco mais posso dizer...Parece que foram duas exibições fracas...Parece que o FCPORTO entrou tolhido, dando 45 minutos de vantagem ao adversário que também não teve arte nem engenho para mais...deu empate. Daqui a oito dias será melhor...O ambiente está quentinho...até o Santinho entrou no barulho...


Entretanto também li algumas coisas interessantes, à Jorge Coroado:

"Na TVI o Jorge Coroado diz que o amarelo a Lucho foi bem mostrado porque a actitude do argentino ao esboçar o protesto mostrou falta de respeito para com o arbitro. Para no exacto minuto seguinte dizer que a expulsão do Miccoli foi injusta porque é normal a situação de um jogador protestar depois de ser agarrado, pelo que não devia por isso ter visto o amarelo!

Sr. Coroado, esboçar um pontapé na bola, sem no entanto o fazer, quando se é alvo de uma injustiça é mais grave do que agredir/tentar agredir um colega de profissão?!


MARCADORES:

HÉLDER POSTIGA 4 golos
LUCHO 2 golos
QUARESMA 2 golos
ADRIANO 1 golo
RAÚL MEIRELES 1 golo
CECH 1 golo
LISANDRO 1 golo
TARIK 1 golo

INDISCIPLINA:

PEPE 2 amarelos
BOSINGWA 2 amarelos
PAULO ASSUNÇÃO 2 amarelos
QUARESMA 2 amarelos
LUCHO 2 amarelos
LISANDRO 2 amarelos
ADRIANO 1 amarelo
RAÚL MEIRELES 1 amarelo
BRUNO ALVES 1 amarelo
JORGINHO 1 amarelo
DIOGO VALENTE 1 amarelo

ASSISTÊNCIAS:

FCPORTO-LEIRIA: 40 728 Espectadores
FCPORTO-BEIRA-MAR: 31 423 Espectadores
FCPORTO-MARÍTIMO: 33 023 espectadores





quinta-feira, outubro 19, 2006

FC Porto reduz passivo em 11,5 milhões de euros



CONTAS DO CLUBE

FC Porto reduz passivo em 11,5 milhões de euros

Na Assembleia Geral marcada para o próximo dia 27, o FC Porto vai apresentar as contas do exercício respeitante à época de 2005/06, destacando-se, entre as várias parcelas, a redução do passivo em 11,5 milhões de euros. No momento em que encerrou o exercício em questão, a 30 de Junho de 2006, o passivo do clube estava calculado em 44,6 milhões de euros, menos de metade do que o apurado dois anos antes, em 2004: 119,6 milhões de euros.

Relativamente aos resultados líquidos, outra das alíneas que estará sujeita a apreciação no dia 27, há um défice de 3,3 milhões de euros, inferior, ainda assim, aos 4,3 milhões de euros negativos apurados no ano passado. Refira-se que o resultado líquido é penalizado em cerca de 2,3 milhões de euros por causa da contabilização de encargos financeiros que suportaram o Project Finance do Estádio do Dragão, parcela que se repetirá nos dois próximos exercícios. A exploração corrente do ano em análise apresenta também um milhão de euros de prejuízo, valor idêntico ao do último exercício. Em capitais próprios, o FC Porto contabiliza, de momento, 110 milhões de euros.


No OJogo 14 Outubro 2006

MODALIDADES

ANDEBOL
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1ª Jornada: FCPORTO 24 - Ginásio do Sul 23
2ª Jornada: ISAVE 22 - FCPORTO 33
3ª Jornada: FCPORTO 26 - Vitória de Setúbal 24
4ª Jornada: Sp. Horta 17 - FCPORTO 30
5ª Jornada: FCPORTO 23 - Sporting 22
6ª Jornada: Sp. Espinho 23 - FCPORTO 31

CLASSIFICAÇÃO

1º FCPorto 18
2º Abc 18
3º Madeira 16
4º Belenenses 16

HOQUEI EM PATINS
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1ª FASE

1ª Jornada: FCPORTO 4 - Juventude de Viana 1
2º Jornada: Oliveirense 2 - FCPORTO 4

CLASSIFICAÇÃO

1º FC Porto 6
2º Candelária 6
3º Ac. Cambra 6

FUTEBOL JOVEM

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JUNIORES A

ZONA NORTE

6ª Jornada: U.Leiria 1 - FCPORTO 0

1º FCPORTO 15
2º Candal 14
3º Académica 14
4º Guimarães 14


JUNIORES B

SÉRIE B

5ª Jornada: FCPORTO 2 - Repesenses 0

1º FCPORTO 15
2º Boavista 13 +1 jogo
3º Leixões 10


JUNIORES C

SÉRIE B

5ª Jornada: Boavista 0 - FCPORTO 2

1º FCPORTO 15
2º Feirense 15

quarta-feira, outubro 18, 2006

TRIO LISBOETA...




O TRIO LISBOETA
Pedro Proença
Tiago Trigo
José Lima

No estádio onde mais se rouba e onde os árbitros são sujeitos a maior pressão, um TRIO LISBOETA para Sporting - FCPORTO...tá certo...ainda têm o Lucílio Calabote Baptista em reserva :-))

LC: 3ª Jornada : FCPORTO 4 - HAMBURGO 1



Foi bom...só que não gostei nada da lesão do Anderson nem da vitória do CSKA sobre o Arsenal...Assim teremos poucas hipóteses, pois as exibições do FCPORTO não são o suficientemente consistentes para acreditar que poderemos vencer na Alemanha e na Rússia...mas aguardemos...estou a gostar da veia goleadora da equipa. A arbitragem também esteve desastrada...um penalti sobre Quaresma...o golo anulado ao Hamburgo que tem tanto de peru do Helton como falta sobre o guarda-redes...a expulsão perdoada ao tipo que fez penálti e o golo de Postiga em fora-de-jogo...muito mau...





ASSISTÊNCIA:

FCPORTO-CSKA: 37 123 espectadores
FCPORTO-HAMBURGO: 31 109 espectadores

terça-feira, outubro 17, 2006

Esta professora...

Carlos Pereira Santos na Abola:


(...) Havia a hipótese de falar sobre a comovida visita de LFV ao Bairro das Furnas, onde as virtudes do homem, contadas e cantadas por quem o viu crescer, roçam as de um deus, ao ponto de a vetusta professora primária dizer que o aluno, hoje presidente, escrevia muito bem. Oralmente, as palavras não lhe saem com a musicalidade desses verdes anos(...)

20.45 TMG

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20.45 TMG

Tal como o país, o FC Porto vive com o que não tem, acima das suas possibilidades. Mas enquanto o país já começa a reagir, no FC Porto continua a contar-se com a venda extraordinária do património ou com epopeias desportivas para poder continuar a gastar o que se gasta


1- Às 20.45 europeias de hoje, 19.45 em Portugal, Benfica e FC Porto começam a poder fazer contas e a antecipar o que poderá vir a ser, em grande parte, a sua época europeia de 2005/06. A derrota nos respectivos jogos desta noite significará para ambos, quase inevitavelmente, a perspectiva de ficarem desde já limitados a lutar apenas pelo terceiro lugar no grupo e o prémio de consolação de acesso à Taça UEFA — no caso do FC Porto, mesmo esse objectivo de difícil realização. Em caso de vitória, ao Benfica abrem-se razoáveis perspectivas de poder chegar a um dos dois primeiros lugares do grupo, que dão continuidade na Champions. Ao FC Porto, a quem só a vitória pode rigorosamente interessar, ela por si só nada mais garante do que continuar na luta pelo segundo lugar, dependendo ainda de uma vitória do Arsenal sobre o CSKA para que as esperanças não sejam apenas aritméticas. Enfim, o empate não seria um mau resultado para o Benfica, que joga em Glasgow, no terreno do adversário directo na luta pelo segundo lugar, mas já para o FC Porto significaria o fim de qualquer ilusão. A experiência mostra que começar a Champions em casa é uma vantagem, desde que não se deixe fugir a vitória; em caso inverso, significa quase sempre deixar fugir a qualificação. O empate inaugural do FC Porto contra o CSKA soou como uma pré-sentença de morte e, a partir daí, a equipa ficou obrigada a correr atrás do prejuízo, não desperdiçando mais pontos em casa e tentando ir resgatar fora os que perdeu na primeira jornada. Por isso, o jogo de hoje é para os portistas de vida ou morte: tudo o que não seja uma vitória sobre o Hamburgo deixá-los-á na unidade de cuidados intensivos. Quanto ao Benfica, na eventualidade de uma derrota contra o Celtic, poderá vir a lamentar, como aqui previ na altura, os dois pontos deixados em Copenhaga, num jogo e frente a um adversário em que a vitória estava perfeitamente ao seu alcance mas em que se limitaram a jogar para o empate.

Diferente, para bem melhor, é a situação do Sporting, que passará de confortável a excelente se amanhã tiver engenho e coragem para levar de vencida o Bayern, em Alvalade.

2- Assinale-se que foi mais uma jornada sem casos de arbitragem nos jogos que envolveram os grandes, o que é sempre de aplaudir. Aliás, já lá vão cinco jornadas e ainda não houve um caso controverso em qualquer dos jogos envolvendo FC Porto e Benfica. Apenas com o Sporting houve dois erros de arbitragem com influência directa no resultado - um beneficiando-o, o outro prejudicando-o. Contas feitas, o saldo destas cinco jornadas é anormalmente positivo. Que assim continue!

Não vi o Jogo do Benfica em Leiria, que me dizem ter sido o melhor dos encarnados, desde há muito tempo. Vi bocados da segunda parte do jogo do Sporting no Estoril, que me pareceu cientificamente jogado para o resultado, face a uma equipa menos do que banal. Já o jogo do FC Porto, obviamente, vi-o todo. Vi um Postiga autor de dois excelentes golos, o que a mim, devo dizê-lo com toda a sinceridade, me surpreende: já estava conformado com um Hélder Postiga capaz de passar jogos inteiros a fugir da zona de responsabilidade do pon-ta-de-lança e sem nunca correr o risco de rematar à baliza. Será possível que um jogador ressuscite de quatro anos de frustração? Oxalá que sim! Vi também o regresso simbólico do Bruno Moraes, cujos únicos 50 minutos jogados num particular, na Holanda, me deixaram a pensar que ali estava o único ponta-de-lança fiável do plantei azul e branco, no caso de alguém conseguir deslindar o mistério da sua permanente indisponibilida-de física. Enfim, vi também mais uma exibição exuberante desse menino Anderson, um prodígio como há muito não via em estádios portugueses, e vi mais uma exibição apagada, quer do Quaresma quer do Lucho, ambos verdadeiramente irreconhecíveis esta época. E, que me desculpe Jesualdo Ferreira, mas continuo a não ver qualquer ideia ou estratégia pensada no jogo do FC Porto, cujos jogadores dão a sensação de não saberem o que hão-de fazer em cada momento do jogo.

3- Verdadeiramente aterrador o resultado do exercício 2005/06 apresentado pela SAD do FC Porto: 30,4 milhões de euros de prejuízo, ou seis milhões e oitocentos mil contos, na moeda antiga. Mais assustador ainda, foram as razões apresentadas para este défice de exploração: o afastamento na primeira fase da Liga dos Campeões e o facto de se ter optado por não vender nenhum dos grandes jogadores (o que não é bem correcto, visto que sempre se vendeu o McCarthy e o Diego e só se compraram segundos ou terceiros planos). E assustador, porque isto significa que a SAD do FC Porto assume só conseguir equilibrar as contas, ou ao menos menorizar os prejuízos, através de receitas extraordinárias, que espera conseguir realizar todos os anos. Ou seja, tal como o País, o FC Porto vive com o que não tem, acima das suas possibilidades. Mas, enquanto o País já começa a reagir e o objectivo principal da política financeira é hoje reduzir o défice das contas públicas até chegar ao ponto de equilíbrio, já no FC Porto continua a contar-se com a venda extraordinária do património ou com epopeias desportivas para poder continuar a gastar o que se gasta no resto. Aparentemente, o FC Porto só é viável financeiramente se conseguir vencer a Liga dos Campeões ou se conseguir vender um jogador por milhões. Só que nem de dez em dez anos se ganha uma Liga dos Campeões e nem de cinco em cinco anos aparece um Deco ou um Anderson. E, aliás, uma e outra coisa são incompatíveis: não se pode ganhar uma Liga dos Campeões sem um Deco ou um Anderson. Dir-me-ão que também se pode ganhar primeiro com eles e depois vendê-los. Pois pode: mas para ganhar a taluda duas vezes só mesmo alguém que compra os bilhetes premiados depois do sorteio, para lavar dinheiro.

4- E sempre assim: primeiro, passa-se o mandato inteiro em campanha eleitoral para o mandato seguinte e a fomentar o culto da personalidade, até um ponto tão extremo e tão ridículo que só o próprio é que não se dá conta disso; depois, ameaça-se constantemente com a demissão, para logo suscitar jantares de apoio e movimentos de desagravo; repete-se até à exaustão que o clube não pode ser entregue a aventureiros nem ambiciosos, e que só por isso é que ele não abandona, conforme é seu veemente desejo; enfim, depois de assim ter secado tudo à roda e atingir a triste condição de candidato único, entra-se em pânico ao aperceber-se subitamente que a resposta dos eleitores a uma pugna tão entusiasmante pode vir a ser uma abstenção inconveniente. Chatices da democracia.

6ª Jornada: FCPORTO 3 - MARÍTIMO 0

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Hélder Postiga em grande e Anderson é um espectáculo...quando ao resto, foi q.b...Uma nota para Bosingwa: Sempre me pareceu que este tipo não batia bem da pinha e vai fazer falta contra ao Hamburgo...


MARCADORES:

HÉLDER POSTIGA 4 golos
LUCHO 2 golos
ADRIANO 1 golo
QUARESMA 1 golo
RAÚL MEIRELES 1golo
CECH 1 golo
LISANDRO 1 golo
TARIK 1 golo

INDISCIPLINA:

PEPE 2 amarelos
BOSINGWA 2 amarelos
ADRIANO 1 amarelo
RAÚL MEIRELES 1 amarelo
PAULO ASSUNÇÃO 1 amarelo
QUARESMA 1 amarelo
LUCHO 1 amarelo
LISANDRO 2 amarelos
BRUNO ALVES 1 amarelo

ASSISTÊNCIAS:

FCPORTO-LEIRIA: 40 728 Espectadores
FCPORTO-BEIRA-MAR: 31 423 Espectadores
FCPORTO-MARÍTIMO: 33 023 espectadores

Um "Bicho" a Presidente?

quinta-feira, outubro 12, 2006

-30,5 milhões



É o balanço da passagem do CO ADRIAANSE pelo FCPORTO :-))

quarta-feira, outubro 11, 2006

14ª SUPERTAÇA EM HÓQUEI




O F. C. Porto conquistou , pela 14.ª vez, a Supertaça António Livramento, ao derrotar a Juventude de Viana, por 4-2, em Barcelos.


F. C. Porto 4 - Juventude de Viana 2

Jogo disputado no Pavilhão Municipal de Barcelos. Árbitros Paulo Venâncio e Paulo Afonso.

F. C. Porto: Edo Bosch, Filipe Santos, Reinaldo Garcia, Reinaldo Ventura (2) e Pedro Gil (1) - cinco inicial - Emanuel Garcia, Ricardo Figueira (1). Treinador: Franklim Pais.

Juventude de Viana: Ricardo Silva, João Banza (1), André Azevedo (1), Paulo Almeida e Luís Filipe - cinco inicial - Tiago Barbosa, Leandro Wada, Pedro Neto, Rodrigo Sousa. Treinador: Rui Neto.

Ao intervalo: 2-1.

terça-feira, outubro 10, 2006

ASSIM VAI O FCPORTO

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ASSIM VAI O FCPORTO

Quando, com apenas dois jogos disputados na Liga dos Campeões, o próprio Pinto da Costa vem dizer que o objectivo mínimo é o apuramento para a Taça UEFA, os sonhos não podem ser o que já foram até há ainda bem pouco tempo



APROVEITANDO esta pausa no futebol nacional, procedo a um primeiro balanço deste início de época do FC Porto - no plano desportivo e não só - seguindo a par e comentando os temas abordados por Pinto da Costa, na longa entrevista ontem concedida ao jornal O Jogo e com a qual quebrou um silêncio de meses.

AS DUAS DERROTAS SEGUIDAS, em Londres e em Braga, também foram vistas com preocupação pelo presidente portista. Em especial a segunda, em relação à qual ele até se permitiu uma rara critica à falta de atitude da equipa, afirmando estar confiante de que a mesma se não repetirá. De facto, houve uma falta de ambição e de atitude, mas que não foram os únicos factores das derrotas. Em ambos os jogos, particularmente contra o Arsenal, a equipa também mostrou que lhe faltam jogadores de qualidade em alguns lugares-chaves e o próprio treinador cometeu erros de aprendizagem em ambos os casos: em Londres, mudando o esquema habitual para reforçar a capacidade defensiva, e em Braga, experimentando o Anderson como ala-direito - duas apostas falhadas.

A CONTRATAÇÃO DE JESUALDO FERREIRA por um só ano e depois de ter pago um milhão de euros de indemnização ao Boavista, não foi explicada por Pinto da Costa. Assim como não o foi o facto de ter sido preciso um empresário para negociar com o Boavista, em vez da negociação directa.

A SURPRESA DO COMPORTAMENTO DE CO ADRIAANSE, pode ter sido uma surpresa para todos, como diz Pinto da Costa, mas está dentro da lógica do seu comportamento habitual e que teve sempre muito pouco de lógico e bastante de intempestivo e desequilibrado. Coisa que só parece ter escapado ao presidente portista.

AS DISPENSAS DE JOGADORES, impostas por Co Adriaanse e aceites por Pinto da Costa, já se sabia que iam ser um erro quando foram feitas — particularmente as de McCarthy e Hugo Almeida, quando o clube andava à procura de um ponta-de-lança e não encontrou nenhum (já agora, é um mistério como é que o Hesselink custava 8 milhões de euros para o FC Porto e só custou 5 milhões para o Celtic).

AS VENDAS DE ANDERSON e dos outros em relação aos quais o clube recebeu propostas no defeso (Quaresma, Lucho e Helton — vejam lá como os interessados não são parvos e só querem os bons...), ficam suspensas para já, no dizer do presidente portista, que explica e bem que é um erro, para o clube e para os jogadores, vendê-los cedo de mais. Em relação jóia da coroa, o Anderson, Pinto da Costa desmente a informação que eu aqui havia veiculado de que constava que o FC Porto teria vendido recentemente 10 por cento do seu passe. Afinal, comprou mais 15 por cento, estando agora detentor de 85 por cento. Eis uma boa notícia para os portistas. Não que isso impeça a sua venda próxima ou inevitável num futuro breve, mas ao menos será melhor negócio.

SOBRE COMPRAS DE JOGADORES EFECTUADAS ESTA ÉPOCA Pinto da Costa não fala nesta entrevista. Mas o tema é interessante, porque se o grosso dos accionistas está disposto a encaixar mais um exercício com «elevado prejuízo», que em breve será revelado, e em troca de se manterem no clube os activos representados pelos seus principais jogadores com mercado, também é verdade que talvez não houvesse prejuízo com uma melhor gestão das compras. Volto a dizer que não entendo porquê que se compra uma série de jogadores numa época (Paulo Ribeiro, Ezequias, Diogo Valente, Fucile, João Paulo, Tarik) nenhum dos quais tem valor para se impor como efectivo na equipa. E não percebo como é que, com três defesas-esquerdos no plantei, se deixa ir embora o César Peixoto, com provas dadas como defesa e como extremo e depois de um ano a recuperá-lo clinicamente, e se deixa continuar emprestado no Brasil, com parte do ordenado a pagar pelo clube, outro jogador com provas dadas, como o Leandro. E, depois de abrir mão dos dois, se vai comprar... o Ezequias.

AS DÍVIDAS DO DÍNAMO DE MOSCOVO que julgo ter sido a primeira vez que foram mencionadas por Pinto da Costa, é também um tema preocu-pante. O FC Porto vendeu ao Dínamo, a dois tempos, o Costinha, o Maniche, o Derlei e o Seitari-dis. Pelos vistos, vendeu sem as devidas garantias de pagamento e voltou a vender mesmo depois de o Dínamo não estar a cumprir os primeiros pagamentos. Entretanto, o Dínamo já revendeu o Costinha e o Maniche para o Atlético de Madrid e ocorre perguntar se esses dois já estariam pagos ou se o Dínamo fez dinheiro com jogadores que não pagou e sem que o FC Porto tenha assegurado o seu direito de regresso em relação ao Atlético de Madrid. A queixa à FIFA, por si só, não assegura o pagamento e o fraco rendimento dos atletas portugueses ao serviço do Dínamo não deve motivar muito os russos a pagarem as suas dívidas.

SOBRE O «APITO DOURADO» Pinto da Costa refere que, das onze certidões extraídas para eventual procedimento disciplinar contra ele, nove foram já arquivadas sem que ele tenha sequer sido ouvido, o que significa que os magistrados do Ministério Público entenderam não haver matéria para a instauração de processo. Restam, portanto, duas. E resta conhecer toda a documentação sobre o Apito Dourado, a transcrição de todas as conversas escutadas a toda a gente e ouvir todas as defesas, para se perceber se há matéria criminal ou simplesmente disciplinar, se houve corrupção ou apenas tráfico de influências, se tudo era uma batota organizada e quase generalizada ou apenas a habitual bandalheira tão portuguesa das cunhas e empenhos, centradas na figura tutelar do major Valentim Loureiro.

SOBRE A DEFUNTA DIRECÇÃO DA LIGA DE CLUBES Pinto da Costa é certeiro e incisivo. Foi obra congeminada a duas mãos entre Valentim Loureiro e Luís Filipe Vieira — que depois disse «querer regenerar a Liga que ele próprio havia feito». E, porque nesta direcção perdeu o poder que detinha na anterior, passou logo a inimigo declarado desta, antes mesmo que ela tivesse mexido uma palha.

Eis o universo portista na actualidade, passado em revista pelo seu presidente e acrescentado dos meus comentários. Percebe-se que os tempos dourados de Mourinho, no futebol, não voltarão tão depressa. Percebe-se, e percebe-se mal, que a situação financeira é má e que não se aproveitaram os lucros excepcionais conquistados nos anos de ouro de 2003 e 2004. Os tempos são de transição, tentando consolidar a supremacia interna, sem grandes veleidades europeias. Quando, com apenas dois jogos disputados na Liga dos Campeões, o próprio Pinto da Costa vem dizer que o objectivo mínimo é o apuramento para a Taça UEFA, os sonhos não podem ser o que já foram até há ainda bem pouco tempo.

Scolari, o zangado

Carlos Pereira Santos na Abola:


Saí do Estádio do Bessa encantado com o bonito jogo que Portugal fez. As bancadas não estavam lotadas, mas nem era de esperar outra coisa. Quando o seleccionador nacional admite até empatar com o Azerbaijão, e ganhar depois na Polónia, está tudo dito. Não é assim que se motiva um adepto de futebol. Não sei o que se passa na cabeça de Luiz Felipe Scolari.

Não percebo a agressividade com que ataca cada pergunta que um jornalista lhe faz. 0 senhor seleccionador deve entender que é o mais perfeito dos humanos. Acha-se no direito de dar lições de contabilidade futebolística aos portugueses, talvez porque tenha engolido a história de que Pedro Álvares Cabral se enganou na rota quando descobriu que havia o Brasil para lá do nosso horizonte. Talvez porque nos veja a todos como os Manuéis das anedotas que contam lá no Brasil.

Não somos. No futebol, temos o Crístiano Ronaldo, o Deco, o Maníche, o Miguel, o Costinha, o Ricardo Carvalho... Se eu fosse seleccionador desta malta endiabrada havia de aparecer sempre com um sorriso nas conferências de Imprensa. Ainda que perdesse. E quem dirige jogadores com esta qualidade não pode dar-se por satisfeito se empatar na Polónia. Tem de entrar em campo e atacar. Ninguém o levará a mal por isso, mesmo que perca.

Scolari é um indivíduo de mal com o mundo dos jornalistas portugueses. Não aceita uma crítica negativa. A cara de maldisposto contrasta com as entrevistas cor-de-rosa que dá, a dizer que adora Portugal. Oh, senhor, se está tão mal por cá que não lhe permite sequer ser delicado, faça as malinhas que, acredite, vai dar uma alegria enorme a muita gente.

segunda-feira, outubro 09, 2006

PINTO DA COSTA

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Pinto da Costa não gostou da atitude de alguns jogadores, mas está tranquilo

"Braga não se repetirá de certeza absoluta"

O actual momentos dos campeões nacionais foi apenas o ponto de partida para uma entrevista em que o presidente portista fala de tudo. Da saída de Adriaanse, à entrada de Jesualdo passando pelas propostas para a venda de jogadores, pela hipótese de recandidatura e pela inevitável resposta aos ataques de que tem sido alvo.


A poucas semanas de completar 25 anos à frente do clube, Pinto da Costa ainda tem projectos para cumprir. Até ao final do actual mandato, o presidente portista pretende reforçar a marca FC Porto e reestruturar todo o edifício do futebol portista sem descurar por um instante os resultados desportivos até porque, como diz, não vive "da gestão dos êxitos do passado". Numa longa entrevista, fala do futuro, da hipótese de recandidatura a um novo mandato, da construção de um novo pavilhão gimnodesportivo e da consolidação de uma equipa que devolva o clube ao papel principal nos palcos nacionais e europeus. E fala do presente para fazer algumas revelações inéditas, como a de garantir que Jesualdo Ferreira tem futuro no FC Porto muito para além do contrato de um ano que assinou, ou que Anderson não está à venda, muito pelo contrário. Tudo sem deixar de lançar um olhar crítico sobre as mais recentes polémicas do futebol português, nem se esquecer de devolver à procedência os ataques de que tem sido alvo. Um discurso optmista, mas que não esconde o facto de nem tudo serem rosas. Como, por exemplo, as últimas derrotas da equipa principal. O ponto de partida.

Depois de uma excelente arranque, com a conquista da Supertaça e quatro vitórias no campeonato, o FC Porto sofreu duas derrotas consecutivas. São resultados que o trazem preocupado?
Não, de todo, até porque nos temos que enquadrar na realidade. E a realidade é que a equipa jogou no ano passado sob um determinado sistema totalmente diferente do actual, que começou a temporada sob o princípio de que seria esse o sistema e preparando-se para ele e que, de repente, sem que nada o fizesse prever, o técnico desapareceu - nem se pode dizer que se demitiu porque saiu porta fora e não falou com ninguém responsável - portanto tivemos, nessa emergência, que encontrar um técnico dentro do perfil que idealizamos. Como é natural, esse técnico tem as suas opções, tem as suas regras e sua forma de preparar a equipa que é diferente do antecessor. Isso levou-nos a establecer um período de transição que terminava agora, com a paragem do campeonato à quinta jornada para os compromissos das selecções. Creio que apesar de termos perdido em Braga o saldo é positivo dentro das nossas expectativas. Tinhamos três saídas em cinco jogos. Vencer duas delas, uma das quais tinhamos perdido no ano passado, é positivo. Agora, como é evidente, tanto eu, como o técnico e certamente os jogadores, queremos mais e exigimos mais.

Mas foram duas derrotas claras e isso certamente não pode ser considerado normal...
A derrota no Arsenal tem que ser considerada, não normal, porque uma derrota nunca é normal, mas compreensível, na medida em que o Arsenal foi finalista vencido da Liga dos Campeões, é uma equipa poderosíssima e fez um grande jogo, o que elimina qualquer hipótese de falar em escândalo. Agora, em Braga, perder até pode não ser muito anormal, mas houve uma forma de encarar a partida por parte de alguns jogadores que levou a que, no final do encontro, tenhamos que reconhecer que o Braga venceu bem, porque todos os que estiveram em campo deram o máximo e quando assim acontece, se não houver o mesmo empenho do outro lado, ganha-se. Já reflectimos todos, técnicos e equipa incluídos, sobre o que se passou e tenho a certeza absoluta que não se vai voltar a repetir.

Essa derrota em Braga aconteceu no início de um ciclo particularmente complicado para o FC Porto, com dois clássicos na agenda. Isso é motivo para preocupações especiais?
Não. O campeonato é uma prova de regularidade na qual temos que jogar contra todos os adversários. Se os clássicos acontecem em Março ou em Janeiro é indiferente, porque no final é que se fazem as contas e não vejo aí nenhum motivos especial de preocupação. A equipa tem que reagir a estas duas derrotas e estou certo que já no próximo jogo, com o Marítimo, a atitude vai ser totalmente diferente daquela que vimos em Braga.

A sucessão de lesões em jogadores importantes também pode ajudar a explicar as dificuldades sentidas?
Temos sido muito infelizes a esse nível. O Pedro Emanuel, que é fundamental para a coesão defensiva da equipa, lesionou-se com gravidade ainda antes da época se iniciar. O Ibson, que estava em excelente forma, também se lesionou e isso para não falar de outros que estão há mais tempo, mas felizmente em vias de recuperação como o Bruno Moraes ou o Sokota. Conseguir resistir a todas essas baixas, a perdas pontuais como as de Raul Meireles, Cech, João Paulo ou Ibson e manter-se, apesar de tudo, a primeira posição do campeonato em parceria com o Sporting, é a prova de que, de facto, temos uma grande plantel.

"Infelizmente, não podemos recuperar Hugo Almeida"

Já disse que não concordou com algumas decisões de Co Adriaanse relativas ao plantel, nomeadamente ao nível das dispensas, em particular nos casos de Hugo Almeida, Hélder Postiga e Diego...
É verdade, não concordei. Não é a primeira vez que não concordo com os técnicos, mas a minha discordância fica comigo. Como presidente, se confio no treinador, tenho que procurar fazer o plantel que ele considera melhor. Não é primeira vez que tomo decisões com as quais não concordo. Por exempplo, o Jardel não veio para o FC Porto quando foi para o Sporting porque os técnicos da altura entenderam que ele não era necessário. Eu discordei e, como sabem, ele chegou ao aeroporto como o cachecol do FC Porto e até comprou casa na Foz para vir morar para aqui, mas quando foi apresentada a questão aos treinadores, eles entenderam que não e eu não contrato jogadores que os técnicos não querem. Isso aconteceu com o Hélder Postiga, mas felizmente ainda fomos a tempo de o recuperar, e aconteceu com o Hugo Almeida, que já estava emprestado ao Werder Bremen e que não pudemos recuperar.

Já sentiu que alguns desses jogadores podia ser úteis no plantel actual?
Não vale a pena estar a especular, na medida em que tudo é subjectivo. Mas de forma muito concreta, na última temporada, como o mesmo treinador que este ano o dispensou, o Hugo Almeida foi muito importante. Houve vários jogos que vencemos com golos dele, como aconteceu por exemplo no Nacional da Madeira. Agora, o treinador decidiu dispensá-lo e eu não podia ir contra ele. Infelizmente o treinador foi embora e talvez o Hugo nos desse jeito, como nos está a dar o Hélder Postiga.


"Nada justifica a saída de Adriaanse"

Já disse que a mudança de treinador influenciou a preparação da temporada. A saída de Adriaanse apanhou de surpresa meio Mundo. E a si?
Acho que a saída dele apanhou toda a gente de surpresa, sem excepções. Tinha ido ao estágio, no dia do seu aniversário, para o poder festejar com ele. Confraternizamos amigavelmente e tudo se estava a processar normalmente, nada fazendo prever que isto pudesse suceder. A verdade é que fomos surpreendidos com esse facto e houve que encará-lo. O treinador abandonou o trabalho, considerou-se afastado e temos o problema para resolução na FIFA, o que me parece ser a única via possível. Se quando um clube não cumpre o contrato com o seu treinador até ao final tem que lhe pagar, é óbvio que, quando um treinador, sem qualquer justificação, sem falar com ninguém, sai porta fora e abandona a equipa no estágio em vésperas de um jogo importante como era o que tinhamos em Inglaterra, é óbvio, dizia, que também temos que ser ressarcidos por isso. Até porque o seu abandono levou a que, para garantirmos a contratação de Jesualdo Ferreira, tivessemos que pagar uma indemnização ao Boavista.

Mesmo nos momentos de maior contestação da última temporada, manteve sempre o apoio incondicional a Co Adriaanse. Sentiu a sua saída de forma pessoal?
É preciso conhecer o homem por detrás do técnico. Se ele fosse português e tivesse esse comportamento, se fosse o professor Jesualdo Ferreira ou um dos treinadores que aqui passaram como o Fernando Santos e outros, é evidente que ficaria magoado pessoalmente. Agora, sempre tive consciência que Co Adriaanse via o FC Porto estritamente como entidade patronal, embora tivesse comigo um relacionamento que posso classificar de agradável. Aliás, pessoalmente, aquilo que lhe desejo é muitas felicidades. Agora, como presidente do FC Porto não posso permitir que uma pessoa que tinha as obrigações e responsabildades dele tomasse a atitude que tomou sem nenhuma razão, e não posso deixar de agir no sentido da protecção dos melhores interesses do clube.

O FC Porto está disposto a ir até às últimas consequências para resolver este caso?
Naturalmente. O FC Porto já entregou o caso à FIFA com o respectivo pedido de indemnização e aguarda serenamente a resolução do caso com a consciência da razão que lhe assiste.

"Jesualdo não vai ficar só um ano, nem dois"

Depois da forma como aconteceu a saída de Adriaanse, Jesualdo Ferreira foi a escolha possível?
Não, foi claramente a primeira escolha. Com a condição de se chegar a um entendimento com o Boavista, foi a primeira escolha. O professor sabe-o bem; o Boavista também, mas tínhamos alternativas para o caso de não ser possível esse acordo.

O facto ter assinado apenas um ano de contrato, pelo menos para já, foi uma forma de precaução depois da experiência com Adriaanse?
Não, quem conhece o professor Jesualdo Ferreira - e eu conheço-o há muitos anos - sabe que ele seria incapaz de tomar uma atitude dessas. Para mim, o professor Jesualdo até podia nem ter contrato que eu continuaria descansado. Estou seguro de que vai ficar não só este ano, nem dois; estou convencido de que vai ficar muitos mais.

Vai propor-lhe isso?
Sim, sim. Ele sabe. Temos conversado sobre o que pretendo para o futuro, e também sei o que ele pensa. Estou tranquilo a esse respeito.

Na altura em que se falou de Jesualdo Ferreira para o FC Porto apontou-se como factor determinante o conhecimento que tinha do futebol português. O facto de ele não ter experiência nas competições europeias não jogou contra?
Não, o professor Jesualdo Ferreira já esteve no Benfica, no Braga europeu e, hoje, qualquer treinador sabe perfeitamente o que é estar nas provas europeias. Pergunto que experiência europeia tinha Mourinho, Fernando Santos ou Artur Jorge quando chegaram ao FC Porto? Não tinham nenhuma. Um treinador ou tem plantel e capacidade para o gerir, e tanto faz ser aqui ou lá fora, ou não tem. Isso nunca foi um óbice em relação ao professor Jesualdo Ferreira, nem a ninguém.

A propósito do plantel ao dispor de Jesualdo Ferreira, este é muito jovem...
Sim, há dois terços do plantel que tem menos de 24 anos, o que traz vantagens em termos de progressão, mas é óbvio que tem como óbice alguma inexperiência. Por isso, confiamos na experiência e na capacidade do professor Jesualdo Ferreira para, o mais rapidamente possível, transmitir maturidade a jogadores que não a podem ter aos 18 anos, como é natural.

Sabendo-se que os adeptos são mais sensíveis a estas coisas do que os dirigentes, sentiu reacções negativas por causa destes dois últimos resultados?
Não senti, mas espero que os adeptos estejam tristes. Mal do clube que não tenha adeptos tristes depois de duas derrotas, ainda que uma delas tenha sido contra o Arsenal. Isso é que seria uma catástrofe. Estar triste é uma coisa, e incluo-me nos adeptos que ficam tristes sempre que o clube perde, mas temos confiança e sabemos o que queremos.


"Não vendi o Anderson, comprei mais 15 por cento"

Os adeptos do FC Porto ficam apreensivos a cada passe certo e a cada golo do Anderson. Temem que esteja mais próxima a separação. Pode sossegá-los?
Acho que os adeptos são levados a pensar isso por alguma comunicação social. Se um jogador faz um golo mais bonito ou um drible mais espectacular, no dia seguinte já se diz que estão os olheiros de todo o Mundo em cima dele. Isso é o que vende. Ainda há dias vi que um jogador do Sporting, que apareceu neste momento e que está muito bem, já tinha o Real Madrid e o Atlético de Madrid doidos por ele. Isso é muito prejudicial para o evoluir da carreira de um jovem, que tem de estar com os pés bem assentes no chão. O mal dos jogadores portugueses, e por isso muitos falham, é saírem prematuramente do país. Foi o caso do Hélder Postiga, por exemplo. Deixem os jogadores amadurecer, não lhes ponham coisas na cabeça. Quando chegar a hora, os clubes mais ricos aparecerão.

E sobre Anderson, os adeptos do FC Porto podem ou não estar tranquilos depois das notícias sobre um eventual negócio com o Barcelona?
Olhe, o doutor Miguel Sousa Tavares, por exemplo, escreveu que constava que Pinto da Costa tinha vendido dez por cento do Anderson. Curiosamente, nesse mesmo dia, não só não vendi como comprei mais 15. O FC Porto tinha só 65 por cento e passou a ter 80. Mas, dito e escrito por ele, as pessoas são levadas a acreditar no contrário. Optámos por comprar, sacrificando os resultados imediatos em termos de exercício financeiro, dando preferência a um património desportivo mais valioso com um activo que nos possa tranquilizar em relação aos resultados negativos que, por opção, apresentaremos nas contas.

Mas perante a qualidade indiscutível do Anderson, será difícil mantê-lo no futebol português, não acha?
Não sei. Por exemplo, o Lucho, que não estará no seu melhor, fruto também de uma lesão na pré-temporada, é um jogador feito e de grande qualidade internacional. Houve propostas para o vender, mas optámos por mantê-lo e o próprio jogador já declarou publicamente que não quis sair. Se um jogador está bem no FC Porto, vai sair para quê? É óbvio que há casos que envolvem loucuras, levando o clube e o jogador a ter de dizer que sim, mas não é do nosso interesse desfazermo-nos desses jogadores. O Lucho é uma prova concreta disso. Não quisemos que ele saísse e ele também não quis. Ainda não vi nenhuma manifestação do Anderson a dizer que queria sair.


"Tive propostas para Lucho, Quaresma e Helton"

Admite que, se surgir uma proposta louca por Anderson, ele possa sair?
Admito que todos podem sair. Não vejo é por que razão há-de surgir para o Anderson e não para outros. Neste defeso, se tivesse optado por vender os quatro jogadores que nos quiseram comprar, não apresentaríamos os prejuízos que vamos apresentar. Teríamos lucro. Fizemos uma opção, à semelhança do que aconteceu com o Deco depois de vencermos a Taça UEFA. Também recusámos vendê-lo. Havendo vários anos de contrato e tendo os jogadores ainda muito para dar ao clube, vamos ter calma. Quando chegar a hora, em que seja bom para todos, encararemos a situação.

E quais foram os jogadores que quiseram comprar?
O Anderson, o Lucho, o Helton e o Quaresma. Se os tivessemos vendido, em vez do prejuízo que temos apresentaríamos os mesmos números, mas de lucro. Não estou preocupado com esse resultado porque podemos invertê-lo; a tendência é que os jogadores se valorizem. Há o caso concreto do Helton, que se valorizou exponencialmente com a chamada à selecção do Brasil. Esta semana vai-se falar dele em todo o Mundo. Além disso, desportivamente, a saída de qualquer um desses quatro jogadores, nuns casos mais noutros menos, reduziria a possibilidade de vencermos jogos e provas.

Entretanto, parece evidente que há, neste momento, um défice no ataque. Isso é uma preocupação para ser corrigida na reabertura do mercado?
A preocupação do treinador é recuperar os jogadores lesionados. Ainda há dias, ele dizia-me que esperava que os grandes reforços fossem o Bruno Moraes e o Pedro Emanuel. Se calhar, com esses dois, mais o Ibson, em Braga a história teria sido diferente. Já não haveria necessidade, como aconteceu com o próprio Braga, de jogar a mesma equipa da jornada europeia.

"Objectivo mínimo é acesso à Taça UEFA"

O comportamento nas competições europeias é fundamental para o equilíbrio financeiro das equipas portuguesas. Depois de dois resultados comprometedores, os objectivos do FC Porto mantêm-se intactos?
Houve um resultado anormal, em que a sorte foi fundamental, tal como foi reconhecido por toda a gente, que foi o empate em casa com o CSKA. Não é por ter perdido em Londres com o Arsenal que o FC Porto não será apurado para a fase seguinte, mesmo que perder nunca seja normal para o FC Porto. Estamos confiantes que vamos conseguir o apuramento. Já estavamos conscientes que este grupo não seria fácil mas é este que temos que encarar. Não vale a pena estarmos a pensar que dava mais jeito ir a Copenhaga do que ir à Rússia. É este, é com este que temos que nos bater e é ao Hamburgo que vamos ter que bater no próximo jogo.

O acesso aos oitavos-de-final é o objectivo mínimo?
O objectivo mínimo seria o que não conseguimos na última temporada, que foi o apuramento para a UEFA. A UEFA também pode ser muito rentável, como foi há poucos anos para o FC Porto, aliás, mais rentável que muitas participações na Liga dos Campeões. Esse é o objectivo mínimo. O objectivo que traçámos é de facto o acesso aos oitavos-de-final, com a consciência que a partir daí tudo pode acontecer, mas que é uma prova muito difícil.


"Contas são negativas por opção consciente"

O FC Porto vai apresentar contas negativas nos próximos dias. Há razões para preocupações?
As contas são negativas mas por opção consciente. Se quisessemos apresentar contas positivas, bastava vender talvez um jogador e dois chegava de certeza absoluta. Foi uma opção não o fazer e ter esse resultado negativo e não estar demasiado preocupado com isso, na medida que é um património que se está a valorizar aquele que mantivemos em desfavor dos resultados.

E qual é o valor desse prejuízo?
Não vou revelar o número, porque isso será feito em apresentação de contas, mas é um prejuizo algo elevado, até porque há uma série de factores que o influenciam. O Dínamo de Moscovo, por exemplo, deve alguns milhões de euros que não pagou dos negócios que fizemos e que entraram no resultado do exercício. De qualquer forma acreditamos que esse crédito será recuperável, dado que o Dínamo não se extinguiu e até temos uma queixa na FIFA que, acreditámos, será julgada no final deste mês de forma favorável aos nossos interesses.


"Não me surpreendem as escutas ao presidente do Benfica"

Numa entrevista recente, o presidente do Benfica revelou que o seu nome e o de Valentim Loureiro constavam de um dossier anónimo que lhe deixaram à porta e que entregou à Polícia Judiciária...
É natural. Dossiers anónimos, deixados à porta de pessoas que ninguém sabe onde moram, como ele próprio já garantiu, é natural que falem de mim e para dizer mal. Porque só quem é cobarde é que me ataca anonimamente e só quem é cobarde é que dá cobertura a esses ataques anónimos e lhes dá seguimento. Eu, sempre que recebo qualquer coisa anónima, rasgo e meto no cesto dos papéis porque tive uma educação de princípios. A outros talvez dê jeito invocar coisas anónimas para sujar o nome de terceiros. Mas isso não me preocupa nada. Rigorosamente nada.

Entretanto, têm-se registado algumas evoluções no processo Apito Dourado...
Não posso falar sobre o processo, mas posso dizer que foram emitidas onze certidões em meu nome e nove já foram arquivadas e nem sequer fui ouvido. Há só duas coisas que quero referir a propósito desse assunto. A primeira, para sublinhar a isenção da Justiça, que está a funcionar. Desde a primeira hora, em que vi em alguns jornais as coisas mais absurdas. Segundo um jornal, um dos processo dever-se-ia ao facto de eu ter falsificado a assinatura de um jogador. Nunca apareceu nenhum processo, porque isso simplesmente não era verdade. Foi dito que eu falava com árbitros. Nunca telefonei a nenhum árbitro, nenhum pode dizer que alguma vez lhe liguei, nem que fosse para dar os parabéns no aniversário. O que alguns jornais fizeram, foi uma pressão enorme e miserável sobre a própria justiça, publicando falsidades. Só que, felizmente, a Justiça tem sabido decidir pelos factos e não pelas mentiras publicadas em alguma comunicação social.

A comunicação social também deu conta de novas escutas, envolvendo outros dirigentes. Ficou surpreendido?
Não, não me surpreendo nada que apareçam registos de escutas a telefonemas do presidente do Benfica. Aliás, o que me surpreende é que não apareçam mais coisas, como por exemplo os telefonemas feitos pelo senhor Veiga ao senhor Pinto de Sousa a pedir que determinado árbitro favoreça o Estoril. Não foi a dizer que tudo lhe corra bem, foi a pedir declaradamente que favoreça o Estoril. Curiosamente, sobre isso não foi tirada nenhuma certidão.

"Luís Filipe Vieira quis regenerar a Liga que ele próprio fez"

Hermínio Loureiro tomou recentemente posse como presidente da Liga. Como viu críticas que lhe foram dirigidas, ainda antes de tomar posse?
Quando foi da última eleição do Major Valentim Loureiro e do Doutor Cunha Leal para direcção da Liga, eu estive, como é público, na oposição. Tínhamos um candidato, que era o Doutor José Guilherme Aguiar, que não conseguiu sequer ir a votos por não ter as assinaturas necessarias, que eram 20 por cento dos votos. Disse na altura que, a partir desse momento, não teria nenhum relacionamento com a Liga. Limitei-me ao longo dos últimos anos, a pagar as multas com que era periodicamente brindado, e não tive nenhum relacionamento com a Liga. Em contrapartida, ficou célebre a frase do presidente do Benfica na altura quando, a propósito da nossa contratação do Jankauskas, afirmou que não estava preocupado com jogadores mas em ganhar lugares na Liga. Foi ele que impôs, segundo me contou o Major Valentim Loureiro, o nome de Cunha Leal para Director Executivo. Fê-lo como condição para manter o apoio ao Major que tinha já convidado o Eng. Paulo Carvalho, presidente do Rio Ave, para o cargo. O que acho interessante é que, quem escolheu o Director Executivo, quem apoiou o presidente, quem nomeou os detentores dos mais diversos cargos, quem disse que seria a APAF a indicar o presidente do Conselho de Arbitragem - sabendo-se exactamente quem a APAF indicaria - foi precisamente o presidente do Benfica. E também foi ele que, no final de uma mandato particularmente nocivo para o futebol português, veio dizer que era preciso renegenerar a Liga que ele próprio tinha feito e patrocionado.

Parece-lhe que esta mudança da Liga era inevitável?
Acho que era necessária uma mudança, até por vontade do próprio Major Valentim Loureiro, e acho que Hermínio Loureiro foi de facto o escolhido para a liderar, mas não pelo FC Porto. Quando fui contactado pessoalmente por Hermínio Loureiro, disse-lhe que o FC Porto não se envolvia em qualquer luta eleitoral, não apoiaria ninguém, nem teria ninguém indicado por si em qualquer orgão da Liga. A nossa posição é não fazer obstrução e apoiar todas as medidas que sejam boas para o futebol. Estivemos foi em oposição clara à Liga que o Benfica patrocionou e que foi agora embora.

E tem expectativas em relação a esta nova Liga?
Tenho. Hermínio Loureiro é uma pessoa com passado que dá garantias e que teve uma acção como Secretário de Estado decisiva na forma como enfrentava os problemas e os resolvia. Espero dele, neste cargo, que cumpra aquilo que constava do seu discurso de tomada de posse.


"Caso Mateus foi a cereja em cima do bolo do Benfica"

Ainda antes da tomada de posse da nova Liga, o início do campeonato chegou a estar em causa em virtude do "Caso Mateus". Como viu todo esse processo?
Caso Mateus que tem foros de rídiculo. É um caso de começa em Janeiro e que vai afectar o início de um campeonato em Agosto precisamente por incapacidade das pessoas da Liga de tomarem decisões. O assunto protelou-se, estava tudo à espera que o Gil Vicente descesse de divisão desportivamente e já não havia problemas, mas já se sabia que quem descesse e não quisesse aceitar os resultados dentro do campo podia agarrar-se a isso. É triste, mas o reflexo do comportamento de algumas pessoas na Liga. Foi uma espécie de cereja, bem encarnada, em cima do bolo cozinhado pelo Benfica na Liga.


"Se vir que posso fazer mais, pode ser que me recandidate"

Apesar de ser alvo de críticas, disse recentemente que sairia apenas quando os sócios do FC Porto quisessem ou quando já não pudesse continuar...
O que disse foi que não serão os jornais ou os comentadores televisivos, que mais não são do que recadeiros, a definir isso. Há um comentador televisivo, que até vai ser mandatário da recandidatura de Luís Felipe Vieira [ n.d.r Fernando Seara], que tem almoços no Hotel Altis e não devem ser para falar de pneus ou negócios em Sintra. Esse senhor, com aparente ar de candura, é um veneno permanente em relação ao FC Porto. Não sei se é um recalcamento por causa do Deco, onde conheceu uma das suas maiores derrotas em termos desportivos. O que disse, e repito, é que não são esses senhores que mandam nos clubes, mas sim os sócios. Só estes é que sabem se os dirigentes estão há muito ou pouco tempo. No meu caso, não tomei o poder de assalto, foi por eleição. Sempre fui a votos e só numa ocasião apareceu um opositor. Não saio por vontade dos cronistas, que podem continuar a insultar-me e a mentir a meu respeito. Saio em duas situações: se não quiser continuar e se os sócios não quiserem que continue.

E quer continuar?
Ainda falta muito. Estamos em Outubro e ainda faltam mais de seis meses para tomar essa decisão. Não posso dizer uma coisa concreta, porque não sou pessoa de gerir êxitos do passado. Quero sempre mais. Se vir que podemos fazer mais e coisas que gostava de deixar no FC Porto, é óbvio que, se tiver saúde, recandidato-me. Vamos ver se é possível levar a cabo o projecto com o qual gostaria de terminar a minha careira de presidente do FC Porto, concretamente o pavilhão gimnodesportivo, em frente ao Dragão. Esse é o meu objectivo prioritário, porque é uma necessidade premente para as modalidades. Se vir que há condições para avançar, é possível que me recandidate; de contrário, pode ser que não me recandidate.

Um pavilhão à escala do Dragão?
Exactamente. Será um pavilhão como o estádio, um orgulho do FC Porto e da cidade. Com o mesmo autor, o arquitecto Manuel Salgado.


Termina o contrato no final da época

"Não será inédito Baía continuar a jogar"

É uma questão inevitável, agora ou no final do ano: o que vai acontecer a Vítor Baía, que termina contrato esta época? "O Vítor Baía está cá porque o treinador continua a achar que é um grande guarda-redes, talvez ainda o melhor guarda-redes português, mas tem na baliza um jogador de tal valor que foi chamado à selecção do Brasil, que é só o país com mais títulos mundiais conquistados". Dito isto, uma abordagem mais concreta ao que pode acontecer. "Se no final da época vão manter, tanto o Vítor Baía como o treinador, a mesma intenção, isso é outra questão. Baía faz 37 anos este mês. Não será inédito se continuar a jogar, mas também já não é exactamente um jovem. Por outro lado, se não puder contar com Helton, não vejo nenhum outro guarda-redes que me pudesse dar garantias". O sentimento especial que une o presidente portista ao guarda-redes continua intocável, mas terá de ser Baía a esclarecer o que pretende fazer.


Fim de carreira foi atitude inteligente

"Jorge Costa não podia arrastar-se nos campos"

Património humano do FC Porto, Jorge Costa anunciou esta semana o fim da carreira. Pinto da Costa continua a achar que o jogador se precipitou na forma como deixou o clube. "Saiu contra a minha vontade e continuo a dizer que foi uma má opção ter ido para a Bélgica. Desportivamente, não lhe acrescentou nada: não lhe prorrogou a carreira por mais um ano, um dos argumentos que usou para sair". O presidente portista recordou que o jogador teve "total liberdade" para decidir, com a garantia de que "não seria prejudicado". O fim não o surpreendeu. "Acabar agora a carreira foi uma atitude inteligente, porque um jogador que conseguiu o que ele conseguiu não podia andar a arrastar-se nos campos ou vestir uma camisola qualquer". E deu até um exemplo concreto: "Por muito respeito que tenha pelo Leça, é uma mágoa que tenho a de ter visto o Jaime Magalhães, que teve uma carreira brilhante no FC Porto, sair para acabar no Leça de forma inglória".

domingo, outubro 08, 2006

PINTO DA COSTA: AMANHÃ EXCLUSIVO no OJOGO


Pinto da Costa em Grande Entrevista


"Mal do clube que não tenha adeptos tristes depois de duas derrotas, ainda que uma delas tenha sido contra o Arsenal"

"O Caso Mateus foi uma espécie de cereja, bem encarnada, em cima do bolo cozinhado pelo Benfica na Liga"

"Há quem tenha o hábito de invocar coisas anónimas para sujar o nome de terceiros. Mas isso não me preocupa nada"

"Posso dizer que [no Apito Dourado] foram emitidas onze certidões em meu nome e nove já foram arquivadas... e nem sequer fui ouvido"

"Neste defeso, se tivesse optado por vender os quatro jogadores que nos quiseram comprar, não apresentaríamos os prejuízos que vamos apresentar. Teríamos lucro"

"Se vir que podemos fazer mais coisas que gostava de deixar no FC Porto, é óbvio que, se tiver saúde, recandidato-me"

"[Nas escutas] O que me surpreende é que não apareçam mais coisas, como por exemplo os telefonemas feitos pelo senhor Veiga ao senhor Pinto de Sousa"

Grandes males

Jorge Maia no OJOGO:


Se há males que vêm por bem, o mais provável é que haja alguns bens que vêm por mal. Assim como aqueles rojões de sarrabulho que nos sabem pela vida, mas nos deixam dois dias a sais de frutos. De certa forma, se os adeptos do FC Porto não tivessem enchido a barriga durante as primeiras quatro jornadas, não lhes tinha custado tanto a engolir a derrota com o Braga na última ronda. O facto é que as quatro vitórias que marcaram o arranque dos portistas no campeonato - cinco, se contarmos o triunfo sobre o Setúbal em Leiria que valeu a conquista de mais uma Supertaça - bem como a eficácia demonstrada pelo ataque e a segurança revelada pela defesa nesses jogos, acabou por fazer esquecer que o FC Porto atravessava, e ainda atravessa, uma fase de transição. Mais do que a mudança de treinador, que seria sempre difícil de gerir no arranque de uma temporada, as mudanças de filosofia e sistema táctico, especialmente quando são tão radicais como aquelas que Jesualdo Ferreira operou na equipa construída por Co Adriaanse, exigem um período de quarentena antes de poderem sair à rua. A facilidade com que os portistas ultrapassaram os primeiros obstáculos que lhes surgiram ao caminho fizeram esquecer que esta equipa foi originalmente desenhada e treinada para jogar num sistema diferente, tão diferente que Adriaanse se deu ao luxo de dispensar alguns jogadores que Jesualdo certamente não desdenharia agora. Acrescente-se a isso uma sucessão de lesões de elementos cruciais e a juventude de um plantel com uma média de idades próxima dos 24 anos e ninguém estranharia que o FC Porto perdesse em Braga se o jogo tivesse acontecido na primeira jornada. Mas à quinta e depois de quatro vitórias consecutivas, uma derrota é sempre mais difícil de digerir. Por outro lado, como a minha avó costumava dizer, ainda a propósito dos rojões de sarrabulho, barriga que lá os tem, lá os governa.

Mais 15% do passe de Anderson


No OJOGO:

Clube detém agora 80 por cento do passe

Anderson mais portista

Os campeões nacionais reagiram às notícias do interesse de alguns clubes europeus no jovem médio brasileiro reforçando a sua posição com mais 15 por cento

O FC Porto comprou mais 15 por cento do passe de Anderson, sendo agora detentor de 80 por cento. A operação, já concluída, permite ao clube proteger melhor uma das mais-valias indiscutíveis do plantel, ganhando com isso uma considerável margem de manobra para lidar de forma confortável com o assédio de outros clubes, que, como O JOGO noticiou oportunamente, têm andado de olho na evolução do brasileiro. Os portistas - que começaram por ser donos de apenas 35 por cento, parcela idêntica à que foi adquirida pela Gestifute, empresa de Jorge Mendes, no primeiro acordo de transferência alinhavado com o Grémio de Porto Alegre, numa operação avaliada em 5,5 milhões de euros - tinham comprado recentemente os 30 por cento que o clube brasileiro mantivera em sua posse, cedendo Léo Lima e uma verba estimada em qualquer coisa como de 2,5 milhões de euros. A nova fatia de 15 por cento foi subtraída à parte do empresário, juntando-se aos 65 que já pertenciam ao FC Porto.

Depois de meio ano a adaptar-se ao futebol europeu, ainda debaixo da supervisão de Adriaanse, Anderson explodiu em definitivo no arranque desta temporada. Figura nuclear da manobra atacante dos portistas, o brasileiro mereceu rasgados elogios depois da estreia na Liga dos Campeões. O director-desportivo do Barcelona, Txiki Beguiristain, reconheceu publicamente que o clube catalão tem o nome sublinhado na agenda de potenciais reforços e o Chelsea, através de Frank Arnesen, esteve também no Porto a recolher apontamentos para juntar aos ficheiros. Estes são apenas dois dos clubes atentos. Pinto da Costa disse recentemente que não equaciona vendê-lo a curto prazo e Jesualdo Ferreira reconheceu também que o jogador valerá ainda mais dentro de pouco tempo. Esta compra de mais 15 por cento do passe, além de uma prova inequívoca de confiança nas capacidades do jogador, permitirá aos portistas aumentar exponencialmente os lucros de uma futura venda. Além disso, é preciso não esquecer que Dunga, seleccionador brasileiro, reconheceu que o jogador deverá ter uma oportunidade em breve para mostrar valor na selecção principal do Brasil, um carimbo que elevará ainda mais a cotação de mercado.

quarta-feira, outubro 04, 2006

terça-feira, outubro 03, 2006

O CHOQUE DA EUROPA

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O CHOQUE DA EUROPA

Diga-se de passagem que ontem, em Braga, o FC Porto confirmou o que já em patente para quem tivesse estado atento, independentemente dos primeiros resultados positivos: que esta equipa do FC Porto, até ver, tem mais estatuto que qualidade.

O futebol português, a nível de clubes, viveu este ano uma conjuntura altamente favorável na participação europeia, fruto do 6.Q lugar que ocupamos no ranking da UEFA e que é ainda e em grande parte herança dos dois anos dourados de Mourinho à frente do FC Porto, acrescentados de uma boa prestação do Sporting na Taça UEFA em 2005 e de uma razoável prestação do Benfica na Liga dos Campeões da época passada.

Por esse facto, temos três equipes na Liga dos Campeões da edição corrente e três na Taça UEFA. O risco deste excesso de representação é o inverso da razão de estarmos nesta posição: com mais equipas em competição na Europa, a probabilidade dos maus resultados acentua-se. E, com eles, o ranking recua e vão ser necessários outros anos de ouro de dois ou três emblemas para nos puxar de novo para cima. Porque, anos e anos passados, o essencial da nossa participação europeia mantém-se: um tremendo défice de competitividade e um antiquíssimo e inultrapassável espírito provinciano quando chegamos aos grandes palcos europeus.

Na semana que passou, esta realidade e esta atitude foram particularmente evidentes, a um ponto que só nos pode deixar deprimidos e pensativos, Vejamos, caso a caso:

O Vitória de Setúbal ficou feliz por não repetir a derrota frente ao Hereven e por fechar a eliminatória conseguindo um empate, embora tenha conseguido zero golos em 180 minutos de futebol. Como, mesmo assim, o esforço parece ter sido imenso, o seu treinador logo veio declarar, em vésperas de regresso às competições internas, que a equipa estava cansada. Há 200 equipas profissionais em competição na Europa e ninguém se lembra se tiveram um jogo a meio da semana, quando chega a altura de jogarem internamente. É um choradinho que já não tem lugar em equipas profissionais, até porque não se percebe a razão pela qual uma equipa de clube pequeno há-de acusar mais o cansaço que uma de clube grande. Se não têm capacidade física para aguentar um ou dois jogos extra a meio da semana, mais vale que desistam da Europa e se confinem aos seus horizontes de ambição e preparação.

O Nacional da Madeira entrou bem no seu jogo e conseguiu anular a desvantagem de 1-0 antes do intervalo. Mas, a partir daí, a equipa encostou-se, passou a jogar para a sorte, para o prolongamento e os penalties~e foi muito justamente eliminada por um adversário que mostrou ter muito mais ambição e categoria para estar na Europa.

O Sporting de Braga - muito saudado pelo marco histórico de, pela primeira vez, ter passado à fase de grupos da Taça UEFA, fez, em minha opinião, um jogo miserável contra o Chievo, em que só depois de estar a perder 0-2 e a jogar contra dez, é que se atreveu a fazer mais qualquer coisa do que ver o tempo a passar e o adversário a ter todas as des-pesas do jogo. Tiveram sorte e voltaram felizes, mas não sei se mereciam. E, ontem à noite, em Braga, contra o FC Porto, voltaram a ser felizes, mas beneficiando de uma exibição do FC Porto tão miserável quanto a do Braga em Verona.

O mesmo se diga do Sporting, no seu jogo de Moscovo, a seguir ao brilharete contra um Inter em crise. A tão explorada desculpa do relvado sintético (igual para ambos) serviu às mil maravilhas para desculpar uma exibição totalmente falha de coragem e vontade de vencer e serviu também para fazer esquecer que o problema de defrontar as equipas russas na sua terra não é o de jogar em relvados sintéticos em Setembro, mas o de jogar em relvados queimados pela neve e com temperaturas negativas, em Dezembro. Apenas a sorte, também, (e o génio de Nani), permitiu ao Sporting sair de Moscovo com um empate bem melhor que a exibição.

O Benfica fez o que pode e o mais que pode, na primeira parte do jogo contra um Manchester que ainda está longe de voltar a ser a temível equipa que era antes de José Mourinho ter chegado a Inglaterra. A estratégia passava também por desestabilizar o Cristiano Ronaldo a partir das bancadas, mas o tiro saiu pela culatra e ele mostrou porque é um grande jogador: porque aparece nos grandes momentos e tem a faculdade de, por si só, resolver um jogo. O Benfica foi até onde pode e esse ponto mostra bem a diferença que há entre um candidato ao título em Portugal e um em Inglaterra.

A mesmíssima coisa aconteceu FC Porto, no seu embate erante essa multinacional que dá pelo nome de Arsenal. Tal como aqui escrevi, no próprio dia do jogo, a minha crença num bom resultado era diminuta, porque entendo que os portistas não têm equipa para competir ao nível mais allto da Europa. Mas chegou a ser confrangedora â diferença de classe, de atitude e de capacidade técnica entre uma equipa que caça com um Thierry Henry e outra que caça com um Hélder Postiga. Que o FC Porto iria naturalmente perder eu já sabia. Não esperava é que Jesualdo Ferreira, também ele, cometesse o eterno crime dos treinadores portugueses frente aos grandes jogos: entrar em jogo a medo, mudando a estrutura rotinada da equipa para introduzir corpos estranhos e malabarismos tácticos, cujo único sentido é sempre o de reforçar a capacidade defensiva. Como seria de esperar, Ricardo Costa só atrapalhou, Postiga foi totalmente inócuo e Lucho González assinou mais uma exibição de valor zero, mas com direito divino a manter-se sempre em campo. E, como era também de temer, a mensagem assim dada pelo treinador passou à equipa: o FC Porto entrou em campo borrado de medo, aproveitando o pontapé de saída para gastar minuto e meio a passar a bola de uns defesas para os outros, muito contentes porque o Arsenal ainda não tinha criado perigo. Não admira que, ao fim de dois jogos europeus, ainda não tenha conseguido sequer marcar um golo. Ora, quem tem medo compra um cão, não vai à Liga dos Campeões. Diga-se de passagem que ontem, em Braga, o FC Porto confirmou o que já era patente para quem tivesse estado atento, independentemente dos primeiros resultados positivos: que esta equipa do FC Porto, até ver, tem mais estatuto do que qualidade.

PS: O director de informação da RTP, Luís Marinho, entendeu desmentir o que aqui escrevi a semana passada sobre as influências movidas pela FPFpara afastar o jornalista Carlos Daniel dos relatos dos jogos da Selecção, por não gostarem do seu espírito crítico nem do programa Trio de Ataque, que ele apresenta. Para além da confirmação da veracidade de parte das minhas afirmações já feita pelo próprio Carlos Daniel, na edição seguinte de A BOLA, quero expressamente dizer aos leitores que tudo o que eu escrevi é rigorosamente verdade, como o Luís Marinho bem sabe. Não retiro nem uma vírgula ao que escrevi, pois, como é óbvio, não o escrevi sem confirmação nem fundamento. Passo por cima das restantes considerações feitas por Luís Marinho que, além de despropositadas e absurdas, nos levariam a uma desagradável lavagem de roupa suja a que não desejo submetê-lo.






5ª Jornada: BRAGA 2 - FCPORTO 1

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Jeusaldo Ferreira:

"Senti que a equipa acusou as críticas feitas depois do jogo com o Arsenal."

Pronto. Vamos lá animar a malta. Vocês são fantásticos, jogam como ó caraças, o Lucho está um espectáculo, mesmo não jogando a ponta de um corno fica sempre em campo para manter o estatuto, a defesa é soberba e o ataque nem há palavras, é dos melhores da Europa. Chega?


MARCADORES:

HÉLDER POSTIGA 2 golos
ADRIANO 1 golo
QUARESMA 1 golo
RAÚL MEIRELES 1golo
LUCHO 1 golo
CECH 1 golo
LISANDRO 1 golo
TARIK 1 golo

INDISCIPLINA:

PEPE 2 amarelos
BOSINGWA 2 amarelos
ADRIANO 1 amarelo
RAÚL MEIRELES 1 amarelo
PAULO ASSUNÇÃO 1 amarelo
QUARESMA 1 amarelo
LUCHO 1 amarelo
LISANDRO 1 amarelo

ASSISTÊNCIAS:

FCPORTO-LEIRIA: 40 728 Espectadores
FCPORTO-BEIRA-MAR: 31 423 Espectadores

domingo, outubro 01, 2006

Ainda há saudosistas de Co

Álvaro Magalhães, escritor no JN:


Fechados para obras


Onde está o F. C. Porto de Mourinho, que assombrou a Europa? Na terça-feira, os ingleses apenas vislumbraram a sua desfalecida imagem. Nós já tínhamos dado por isso há algum tempo.

Este F.C.Porto, com Adriaanse ou Jesualdo, ou qualquer outro, chega para o consumo interno. A nível europeu, porém, passou a ser uma daquelas equipas simpáticas que animam a primeira fase, onde os grandes vão aquecendo os seus motores.

O que se passou, então? A equipa campeã foi vendida para se abrir espaço a nova construção. E, como se sabe, não faltava dinheiro para tal. Ora, o que tem falhado é essa reconstrução. Não há Nanis ou Moutinhos, isto é, formação, nem imaginação, como queria Adriaanse, sequer boa política de compras (só este ano chegaram sete reforços e nem um só aparece na equipa). E mesmo a política de vendas e dispensas (Diego, Hugo Almeida, McCarthy) dá que pensar. Até porque nos disseram logo a seguir que não havia dinheiro para um indispensável matador (só para pagar os impostos, o que parece ser o grande objectivo da época).

Por sua vez, os treinadores sucedem-se, o que muito atrasa a reconstrução. E é assim que estamos agora entre as ruínas de Adriaaanse e os andaimes do projecto de Jesualdo. Ou seja, outra vez fechados (na Europa) para obras. Mas há diferenças, é claro. No ano passado, a equipa jogava bem, marcava, e perdia. Agora joga mal, não marca, e perde também. Foi, pois, de mal a pior. E Jesualdo tem a sua dose de culpa, já que a equipa de Londres foi o reflexo do seu acanhamento e confusão. O que não admira. Na nossa Liga, onde é tratado por professor, pode ser um mestre, mas na terça-feira era apenas um caloiro no seu segundo dia de aulas. Está apto para o "Arsenal" de Braga, não para o de Londres.

Por isso, se pôs a inventar, o que, em futebol, é um pecado capital. Embora esteja sempre a falar em rotinas, montou uma equipa inédita, talvez irrepetível, logo, sem rotinas. Quando chegou ao onze recomendável, o jogo estava decidido. E ainda foi a tempo de retirar Anderson e liquidar a esperança de um acontecimento fulgurante.

Se o jovem brasileiro não estava nos seus dias, ele também não. Embora também esteja sempre a falar em equilíbrio, limitou-se a inverter o pendor da inclinação da equipa da dianteira para a retaguarda. Com Adriaanse, ainda havia excitação e golos, agora é uma secura total. Houve momentos, na terça-feira, em que sentimos saudades da equipa aventureira e insensata do holandês, o que diz muito sobre o atraso da construção de Jesualdo.

Esperemos pois que o professor, já que perdeu um jogo que tinha de perder, não tenha perdido a lição. Se assim for, pelo menos já terá ficado a saber que as experiências e invenções se fazem em casa, quer dizer, nos treinos, ou, quando muito, nos jogos com a Naval e o Aves, e não nos jogos mais difíceis da Liga dos Campeões.