in abolha
Aqui está uma excelente vocação para Pinto da Costa..apresentador de livros...é nas entrevistas, é nas apresentações de livros de emagrecimento...qualquer dia apresenta aí um livro de como caçar gaijas novas...:-))) É em todo o lado...
Vou tentar exprimir tudo o que me vai na alma portista... "FAZEM FALTA PESSOAS COM LIBERDADE PARA DIZER O QUE PENSAM." Rui Madeira
O Sporting também se inclinou um bocadinho
O árbitro, claro. João Ferreira é culpado de ter deixado o Sporting em igualdade de circunstâncias com o Benfica - ou seja, sem condições de evitar a derrota, na honesta leitura conjunta de João Moutinho e Costinha.
Depreende-se que, para o Sporting, era etapa fundamental da estratégia conseguir a expulsão de um jogador adversário. Não ficou claro se qualquer um servia ou teria de ser especificamente Luisão, mas percebeu-se pelas declarações finais do capitão e do director-desportivo do Sporting que o brasileiro caía muitíssimo bem, sem desprimor para os portugueses: fulminado pelo fervor patriótico (e pelos pitons de Luisão), Liedson caiu ainda melhor logo a seguir. Tão bem que, é verdade, ninguém entende como pode não ter caído também um cartão vermelho para o cadente Luisão. Nem outro para Moutinho por ter feito o mesmo a Ramires ou a Veloso por andar há muito a tentar transbordar no Sporting da mesma testosterona de que Bruno Alves e David Luiz transbordam no FC Porto e no Benfica (cuidado, está provado que o excesso provoca queda de cabelo). Seja como for, dois terços da estratégia concretizaram-se. Luisão e o tornozelo de Liedson cumpriram com uma aerodinâmica impecável os planos matemáticos de Carvalhal. O azar foi João Ferreira ter falhado a parte dele. Parece impossível, mas cheira-me que é desta que o Sporting deixa de contar com os árbitros.

Ilibado
O Termómetro Desportivo, um estudo de opinião que publicamos regularmente nas páginas de O JOGO, revela hoje que, para a maior parte dos mais de mil participantes, a manutenção de Jesualdo Ferreira no comando técnico dos ainda tetracampeões nacionais é a melhor opção para a SAD do FC Porto na próxima temporada. Ora, mesmo admitindo que o facto de não haver ainda um candidato definido à sucessão de Jesualdo Ferreira o deixa em vantagem - afinal, para já, a eventual alternativa não passa de uma incógnita portuguesa ou estrangeira -, o facto é que tais resultados também parecem ilibar o técnico do FC Porto da maior parte das responsabilidades naquilo que terá corrido menos bem esta temporada. Acontece que, apesar de nunca ter justificado grandes paixões, Jesualdo Ferreira também nunca viu a sua competência contestada, e os resultados do Termómetro que hoje publicamos parecem reconhecer que, tal como nas épocas anteriores, terá feito o possível com os meios disponíveis. E entre um treinador reconhecidamente competente e uma incógnita, seja ela portuguesa ou estrangeira, quem votaria na segunda hipótese?
Rio Ave-FC Porto
1 - Vitória foi justa mas o empate não ficaria mal
O FC Porto obteve uma vitória justa num encontro em que o empate não teria ficado mal, especialmente se compararmos as oportunidades de golo. O maior domínio do jogo pertenceu ao FC Porto mas houve um equilíbrio ou mesmo vantagem do Rio Ave em termos de ocasiões flagrantes. A equipa da casa mostrou boa atitude mas pecou na finalização, sendo de enaltecer o facto de, seja qual for o adversário, nunca pôr o autocarro à frente da baliza. Joga o jogo pelo jogo mas sabe reconhecer os momentos em que o adversário é superior e é preciso defender bem. São essas, de resto, as características do seu treinador, que conheço bem e admiro.
2 - Na primeira parte faltou velocidade e intensidade ao FC Porto
Assistiu-se a uma primeira parte com pouca intensidade, pouca velocidade e pouca qualidade técnica, o que tornou o jogo pouco atraente. O FC Porto teve maior domínio porque teve mais tempo a bola em seu poder e jogou mais no campo do Rio Ave, mas sentia grandes dificuldades no último terço do terreno - não definia bem os lances nem tinha nenhum jogador que causasse desequilíbrios; teve poucos homens na área e poucas mudanças de velocidade, que são indispensáveis para superar um adversário assim. Tudo isto somado fez com que o FC Porto dispusesse de poucas oportunidades de golo. Na realidade, apenas contei uma, e nem sequer foi das mais flagrantes, em que Hulk rematou às malhas laterais. Até ao intervalo, o FC Porto mostrou poucas soluções ofensivas para mudar o rumo dos acontecimentos. Quando uma equipa perde os principais objectivos da época, é difícil manter a motivação, manter a mesma intensidade com que se luta pelo título ou pela Liga dos Campeões.
3 - Rio Ave cedeu o domínio mas foi mais perigoso
O Rio Ave, por sua vez, demonstrou boa organização defensiva, bom posicionamento e a preocupação em manter os sectores do meio-campo e da defesa juntos, para não dar espaço ao FC Porto. Jogou sempre à espera do erro do adversário e só não marcou por manifesta falta de eficácia de Sidnei, que teve três ocasiões claras de golo só na primeira parte! Assente nessa boa organização defensiva e na aposta em surpreender através de transições rápidas, o Rio Ave permitiu o domínio do FC Porto mas foi mais perigoso durante os primeiros 45 minutos. Como já referi, a falta de intensidade e velocidade dos portistas facilitaram a tarefa da equipa da casa, a quem só faltou, no primeiro tempo, eficácia para chegar ao golo.
4 - Dragões adquirem velocidade e um ponta-de-lança chamado Farías
Na segunda parte, o FC Porto aumentou a velocidade, pois só assim poderia mudar alguma coisa. Foi mais agressivo sobre a bola, pressionou mais e aumentou a velocidade do jogo. Sem ter tido grandes momentos, foi mais perigoso e jogou mais perto da área do Rio Ave. Com a entrada de Farías, passou a ter mais homens na área e obrigou o adversário a recuar: André Vilas Boas passou a jogar mais perto dos centrais; o FC Porto passou a ganhar mais segundas bolas e gradualmente foi tomando conta do jogo. Quanto a Farías, é um ponta-de-lança perigoso que não precisa de muitos remates para marcar, sendo importante neste momento até pelo facto de a equipa não ter muitas soluções para aquela posição. Não obstante os problemas por que passou, teve o mérito de manter sempre a mesma atitude.
5 - Nova oportunidade para Sidnei e… o desânimo
Esta mudança de atitude do FC Porto causou mais dificuldades ao Rio Ave, que, de transições rápidas, passou a actuar em contra-ataque. Dois minutos depois do golo sofrido, conseguiu responder, de novo por Sidnei que obrigou Helton a fazer uma grande defesa. A falta de eficácia, porém, desanimou a equipa, que a partir daí não mais reagiu com perigo, permitindo ao FC Porto gerir o jogo com maior tranquilidade e segurança. É desmoralizador para os jogadores esforçarem-se para criar tantas oportunidades de golo e ver que eles não acontecem. Especialmente contra equipas grandes!
6 - Opção por Tomás Costa não resultou
A lesão de Guarín alimentou a dúvida quanto à titularidade de Tomás Costa ou Belluschi. Tratando-se de jogadores com características completamente diferentes, a opção por um ou outro dependerá sempre da ideia do treinador para determinado jogo. Jesualdo apostou em Tomás Costa e em termos defensivos a equipa fica mais segura, mas precisando de ganhar o jogo é mais realista jogar com Belluschi, que tem capacidade para criar situações diferentes. A presença de Tomás Costa no onze visava explorar as qualidades de Hulk e de Rúben Micael - colocado entre o meio-campo e os avançados - mas isso não funcionou na primeira parte e tinha de ser alterado. Não foi, no entanto, só culpa deles mas, repito, também do resto da equipa, que não fez as necessárias mudanças de velocidade.
7 - Hulk é ímpar mas por vezes bastaria um simples passe
Noto que Hulk tem altos e baixos ao longo de um jogo, mas quando se preocupa em jogar mais colectivamente é muito mais jogador. Ontem teve situações em que foi generoso e colectivo e outras em que, apesar de a melhor solução ser um simples passe, optou pelo drible e pela jogada individual. O brasileiro já é um jogador ímpar e há poucos que se lhe comparem, mas tem algumas coisas que precisa de limar: definir melhor os lances e perceber quando tem de ser desequilibrador ou quando a equipa precisa que tenha um espírito mais colectivo. E na maior parte das vezes é esta segunda situação que se verifica.
8 - Helton segurou os três pontos
Para melhor em campo, a minha escolha é o Helton. Das vezes em que foi chamado a intervir, fê-lo bem e é a ele que se devem os três pontos que o FC Porto conquistou.
"Recorde-se que o argentino foi vendido ao clube francês por 24 milhões de euros, podendo essa verba ascender aos 28 milhões se forem cumpridos determinados objectivos colectivos da equipa do Lyon. Curiosamente, Lucho tem o mesmo tipo de cláusulas no contrato, mas joga no Marselha. Ou seja, se um ganha o campeonato - e isso está previsto nos contratos de venda - o outro não o ganhará; logo, o FC Porto só poderá receber parte dos bónus de transferência de um destes jogadores e nunca dos dois. Pelo menos na totalidade."

A análise de JVP
FC Porto-Marítimo
1- Grande entrada e melhor reacção
Em termos de espectáculo, que mais se pode pedir de um jogo que aos 8 minutos já está 2-1, mesmo que de imediato tenhamos de aludir a desconcentrações e erros defensivos? Para o futebol, não há nada melhor do que um jogo aberto, dividido, com os adversários dispostos a lutar taco a taco. O golo do Marítimo, o mais rápido da Liga, pode ser analisado por duas vertentes por parte do FC Porto. Se, por um lado, sendo marcado muito cedo, dá tempo de sobra ao adversário para reagir, por outro há situações em que um golpe desta natureza é muito difícil de digerir. Neste caso, para o FC Porto foi fundamental marcar logo a seguir e continuar a pressionar.
2- O movimento é fácil acertar na bola não
O FC Porto chegou ao empate com mais um golo de Falcao. Um grande golo. É que fazer o movimento é fácil, mas acertar bem na bola não. Ele fez tudo bem. É óbvio que, ao afirmar que o movimento é fácil, me estou a referir a um jogador com qualidade acima da média, mas para além disso é preciso ter a percepção correcta do tempo e do espaço onde surge a bola, porque o gesto só funciona quando se acerta em cheio na bola, como foi o caso de Falcao.
Esse golo foi a resposta imediata que permitiu à equipa da casa pôr-se em vantagem logo a seguir. Raul Meireles fez uma das coisas que sabe fazer bem: apareceu sozinho em local de finalização. Cabeceou sozinho e fez o golo, por isso referi logo no início da crónica a existência de desconcentrações defensivas.
3- Um aceno de simpatia ao Marítimo
Apesar do 4-1 final, foi um jogo interessante de seguir, porque o Marítimo quis sempre discutir o jogo, foi capaz de o dividir durante grande parte do tempo. Pode mesmo afirmar-se que, depois do sufoco inicial da resposta portista e dos dois golos conseguidos, a equipa da Madeira, ainda na primeira parte, foi capaz de voltar a equilibrar o jogo, com Kléber a ter duas oportunidades de golo. Se o resultado ao intervalo fosse um empate, não se poderia falar de injustiça. É que o FC Porto voltou a evidenciar algumas dificuldades defensivas e permitiu ao adversário que circulasse a bola no seu meio campo com alguma facilidade. Uma imagem que tem acompanhado a equipa ao longo da época: alternar momentos bons com outros menos bons. Em termos de agressividade defensiva, este FC Porto não é o que era. E dou outro exemplo: pensei que o 3-1 mataria o jogo, mas o Marítimo voltou a reagir e podia ter marcado, o que levaria a que o jogo se mantivesse aberto. Curiosamente, foi ao falhar esse golo que o Marítimo perdeu capacidade de reacção. A partir daí, a equipa visitante deu mais espaços e o FC Porto pode jogar em transições rápidas. Para quem tem jogadores velozes como Hulk e finalizadores como Falcao, as coisas tornam-se mais fáceis.
4- Laterais cada vez mais importantes
Se é verdade que os defesas-laterais sempre desempenharam um papel importantíssimo no FC Porto de Jesualdo Ferreira, nesta altura em que a equipa joga num 4x3x3 sem extremos de raiz, a acção deles é ainda mais importante, pode mesmo afirmar-se que é vital. Sem Varela, Rodríguez ou Mariano, com os homens das alas a procurarem mais os espaços interiores, Miguel Lopes e Álvaro Pereira tiveram um papel decisivo no bom desenvolvimento atacante da equipa. E ambos demonstram pedalada para fazerem o vaivém, porque também são rápidos a recuperar.
5- Substituições na primeira parte
A partida de ontem teve um pormenor curioso: cada treinador fez uma substituição na primeira parte, ainda que por motivos diferentes. Meireles estava a fazer um jogo bem conseguido, a aparecer em zonas de finalização, o que dantes fazia com frequência e esta época tem feito pouco, mas teve de sair por lesão. A escolha de Belluschi foi normal, porque também é um jogador ofensivo e que gosta de rematar, embora tenha mais características de organizador. Entrou bem, mas uma alteração deste tipo é sempre mais fácil quando se está a ganhar. Ao contrário, a troca no Marítimo foi táctica: Van der Gaag abdicou de Taka para apostar na irreverência de Pitbull, um jogador para quem é igual jogar contra o FC Porto ou, com o devido respeito, contra a Naval ou outra equipa das consideradas menos fortes. Sabe-se que ele é capaz do melhor e do pior, mas como é um desequilibrador, a ideia pareceu-me boa.
6- Falcao: a atitude mais que os golos
Escolho Falcao como melhor em campo não só pelos dois golos, mas, principalmente, pela atitude regular que tem. Uma coisa é falar do seu jogo em termos técnicos específicos e outra da sua forma de encarar os jogos, da sua capacidade de luta. No primeiro ano que cá está, e numa época em que o FC Porto tem estado abaixo do nível de temporadas anteriores, consegue ser o melhor marcador da Liga. Admiro um jogador que, independentemente da posição em que joga, põe sempre o colectivo à frente. Não é normal um ponta-de-lança defender como ele defende e lutar como ele luta. Tem uma atitude fantástica. Só encontro paralelo em Liedson.
"Com a eliminatória empatada, a sorte iria ditar quem passaria à fase seguinte da Taça dos Campeões: Benfica ou Celtic [no dia 26 de Novembro de 1969, o Benfica venceu por 3-0; duas semanas antes, o Celtic vencera igualmente por 3-0]. O árbitro atirou a moedinha ao ar, mas ela bateu nos azulejos do chão dos balneários da Luz, rolou até às botas do árbitro e depois andou às voltas, hesitante, até tombar, exausta, com a face escolhida pelas cores verdes e brancas, que esperavam lá fora, a roer as unhas sujas de nicotina. É difícil de imaginar uma sorte igual"
David Bennie,"Not Playing for Celtic: Another Paradise Lost" Mainstream Publishing, 1995